O presidente da ACOS, Rui Garrido, alertou esta quarta-feira para a situação que considera crítica da agricultura, durante a inauguração da Ovibeja 2026, em Beja, defendendo a necessidade de medidas urgentes de apoio ao setor.
Nas palavras proferidas, o responsável destacou o impacto do surto de língua azul no Alentejo, referindo que «a taxa de mortalidade das regiões mais afetadas foi duas a três vezes superior ao habitual», com consequências diretas na produção pecuária e na sustentabilidade das explorações .
Impacto da doença e condições climáticas agravam prejuízos
Rui Garrido sublinhou que, para além da mortalidade, o elevado número de animais doentes provocou «quebra abrupta da produção de leite, mortalidade dos borregos, abortos» e um aumento significativo dos custos operacionais nas explorações .
A situação foi agravada pelas condições meteorológicas adversas, com um período de chuvas intensas que dificultou as sementeiras e a alimentação dos animais. «Tudo isto agravado pelo inverno rigoroso», referiu, apontando prejuízos acumulados na atividade agrícola e pecuária .
O presidente da ACOS criticou ainda a ausência de apoios, afirmando que «até à data não foram implementadas medidas de apoio aos produtores», ao contrário do que aconteceu em regiões espanholas vizinhas .
Custos de produção e perdas nas culturas preocupam setor
Durante a intervenção, Rui Garrido referiu também perdas nas culturas de outono-inverno, com «áreas completamente perdidas devido ao alagamento» e outras onde não foi possível realizar sementeiras .
A este cenário soma-se o aumento dos custos de produção, nomeadamente combustíveis e fertilizantes, que, segundo o responsável, «comprometerá a sustentabilidade das nossas explorações» caso se mantenha .
Perante este contexto, defendeu a criação de um sistema eficaz de seguros agrícolas que cubra situações de calamidade, considerando que «não precisamos de inventar muito, basta copiar o modelo utilizado em Espanha» .
Pedido de soluções estruturais para o setor
Na intervenção, o presidente da ACOS considerou que o setor enfrenta «uma situação extraordinária que requer soluções e apoios extraordinários», apelando à implementação de medidas específicas sem comprometer outros investimentos na agricultura .
A abertura da Ovibeja ficou assim marcada por um conjunto de alertas dirigidos ao Governo, num momento em que o certame volta a reunir produtores, empresas e entidades ligadas ao setor agrícola e agropecuário no sul do país.















