A Assembleia da República aprovou esta quinta-feira uma iniciativa que recomenda ao Governo a adoção de medidas para a reativação da fileira da lã em Portugal. A proposta segue agora para discussão na Comissão de Agricultura, onde será analisada na especialidade e poderá integrar contributos de outros grupos parlamentares.
Entre as medidas aprovadas estão incentivos à reativação das indústrias ligadas à fileira da lã, o reforço da certificação das lãs nacionais, o apoio à valorização das raças autóctones e a criação de cursos de tosquiadores em colaboração com o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).
A iniciativa surge num contexto de quebra da produção de lã em Portugal e de dificuldades sentidas pelos produtores, nomeadamente devido ao aumento dos custos de produção, às dificuldades de escoamento e à falta de mão-de-obra especializada.
O documento aprovado refere também o impacto da Febre Catarral Ovina, conhecida como Doença da Língua Azul, que terá provocado uma mortalidade estimada entre 80 mil e 100 mil animais, além de problemas na reposição dos efetivos.
Medidas para valorizar a lã nacional
A proposta recomenda ao Governo que estimule o Centro de Competências para a Lã na criação de mecanismos de certificação das lãs nacionais, com destaque para as provenientes de raças autóctones.
Está ainda prevista a promoção da lã nacional enquanto matéria-prima ecológica e sustentável, bem como incentivos dirigidos às associações de produtores para o melhoramento e valorização da produção.
Outra das recomendações passa pelo reforço da investigação aplicada através do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) e da CCDR Alentejo, incluindo o financiamento de projetos de inovação ligados à cadeia produtiva da lã.
A iniciativa prevê igualmente a disponibilização de dados estatísticos sobre toda a cadeia produtiva, desde a produção até à transformação.
Setor enfrenta perda de competitividade
Segundo o projeto aprovado, a produção nacional de lã enfrenta dificuldades em competir com grandes produtores internacionais, como Austrália e China. O documento refere que a produção portuguesa tem vindo a perder competitividade e valor económico nos últimos anos.
O texto destaca ainda o papel da ovinicultura nas regiões do interior, sobretudo em territórios com baixa aptidão agrícola, apontando contributos para a manutenção das comunidades rurais, preservação da paisagem e prevenção de incêndios.
O deputado Pedro do Carmo, um dos subscritores da iniciativa, considerou que a aprovação representa uma oportunidade para inverter o declínio do setor e manifestou disponibilidade para o diálogo na fase de especialidade.
















