A produção de leite em Portugal enfrenta dificuldades após a descida do preço pago ao produtor, o aumento dos custos de produção e a recusa da maioria das candidaturas a apoios ao investimento, segundo um comunicado da Associação dos Produtores de Leite de Portugal (APROLEP).
De acordo com a associação, o preço do leite ao produtor baixou cerca de três cêntimos por litro no início de 2026, mantendo-se a possibilidade de novas descidas. Em simultâneo, registam-se aumentos nos custos de produção, associados, entre outros fatores, à evolução da situação internacional.
Rejeição de candidaturas ao investimento gera contestação
A APROLEP refere que foram apresentadas 2544 candidaturas ao abrigo da medida “Investimento produtivo agrícola – Modernização”, integrada no PEPAC 2023-2027. Destas, 1814 foram recusadas por falta de dotação orçamental, enquanto 730 seguem para análise.
Segundo a associação, a decisão surpreendeu os produtores, uma vez que o período de candidaturas foi sucessivamente alargado até janeiro de 2026 para permitir a submissão de mais projetos.
A entidade destaca que, desde 2022, não existiam apoios disponíveis para investimentos gerais no setor agrícola, o que aumentou as expectativas dos agricultores. Refere ainda que alguns jovens agricultores voltam a ver projetos recusados.
Custos de produção em subida
O comunicado indica que os custos de produção estão a aumentar, nomeadamente no gasóleo agrícola, que terá registado uma subida de cerca de 40 cêntimos por litro. Também se perspetivam aumentos nos preços de fertilizantes e rações.
A APROLEP sublinha que a produção de leite exige investimentos elevados e com retorno a longo prazo, acrescentando que as sucessivas crises de preços baixos não permitiram acumular reservas financeiras suficientes.
Apelo ao reforço de apoios e revisão de preços
Face ao cenário atual, a associação considera necessário o reforço da dotação financeira para apoiar mais projetos de investimento e defende a criação de medidas específicas para o setor.
A APROLEP sustenta ainda que o preço pago ao produtor deve ser ajustado pelas cooperativas e pela indústria, de forma a acompanhar o aumento dos custos de produção e garantir a viabilidade das explorações leiteiras.















