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Queremos olhar este ano para aquisições, diz CEO Delta Cafés

O presidente executivo (CEO) da Delta Cafés avança, em entrevista à Lusa, que este ano vai olhar para aquisições, além de consolidar a sua presença nos mercados, estando a concluir a compra de um distribuidor em Andorra.

O presidente executivo (CEO) da Delta Cafés avança, em entrevista à Lusa, que este ano vai olhar para aquisições, além de consolidar a sua presença nos mercados, estando a concluir a compra de um distribuidor em Andorra.

“A nossa aposta e, de facto, olhando para o futuro, aquilo que nós queremos é ser um dos 10 maiores torrefatores a nível global”, o que passa também por aquisições, segundo Rui Miguel Nabeiro.

Chegar ao ‘top 10’ “não é uma ambição desmedida, é uma ambição que queremos levar passo a passo”, sendo mais sustentável, mantendo “sempre as raízes em Campo Maior, em Portugal”, enfatiza o gestor.

Portanto, o que “precisamos para crescer é ter uma fábrica e ter Campo Maior (…) a funcionar muito bem” e “aí é onde está a base de todo o nosso investimento que temos feito: aumentar a capacidade da nossa fábrica”, aponta o CEO.

A segunda área de investimento “muito importante para nós são novos mercados. Portanto, queremos estar no ‘top 10’ do mundo, temos de estar no mundo”. Nesse sentido, “queremos trabalhar muito para crescer no canal HoReCa [Hotéis, Restaurantes e Cafés], por exemplo, em Espanha, como estamos a crescer”, diz.

A ideia é crescer “um bocadinho por toda a Europa”, também na distribuição moderna “e fazer aquisições”, salienta.

“Estamos a concluir a aquisição do nosso distribuidor em Andorra”, revela Rui Miguel Nabeiro, apontando “mais uma região” onde passa a ter uma operação direta.

“Esse é um caminho que estamos a olhar, concluímos esta, mas queremos olhar este ano a aquisições, não há outra forma de crescermos e atingirmos o ‘top 10’ nos 15 anos a que nos propomos”, admite.

A Delta Cafés quer “também ir crescendo por via de aquisições, que é o normal e que será aquilo que temos que fazer, fazendo bem, com os pés (…) muito assentes na terra”, reforça o gestor.

O CEO do grupo Nabeiro-Delta Cafés avança que tem um orçamento definido para as compras: “Olhamos para empresas com algum determinado nível de dimensão, que nós sejamos capazes de adquirir”, nos “mercados mais próximos”, mas “não lhe vou dizer qual é o nível de investimento a que estamos disponíveis, até porque isso seria dar o ouro ao bandido”, diz a sorrir.

Sobre que mercados tem no horizonte consolidar, Rui Miguel Nabeiro adianta que a base da estratégia é serem “muito fortes e robustos na Europa”.

Isso significa que “temos de estar com uma posição muito sólida no mercado europeu”, com “todas as suas vicissitudes e suas dificuldades, toda esta componente burocrática e legal que vamos vivendo de Bruxelas, que desafia muito também a forma como se trabalha na Europa, mas é o que é, temos de lidar com ela e nós vamos aprendendo a lidar”, prossegue.

O mercado europeu “é o nosso mercado natural e é onde nós temos de jogar muito bem”, sendo que em Espanha a Delta vai continuar a acelerar o ritmo de crescimento.

“Estamos numa fase, de facto, muito boa no mercado espanhol, não só pelos prémios, mas também pelo crescimento que a empresa vem tendo e, portanto, queremos um bocadinho surfar essa onda e continuar a ganhar a dimensão do mercado espanhol”, mas também consolidar a posição em França, que é o maior mercado de cápsulas do mundo e onde o canal HoReCa tem “uma importância muito grande”.

Apesar de não ter tido o desempenho de Espanha, “tenho a certeza de que 2026 será um ano onde nós estamos a apostar muito forte no canal HoReCa em França e onde vamos começar a ver resultados completamente diferentes”, prevê.

Depois, “é continuarmos o que já temos”: no Luxemburgo a Delta já tem uma posição “muito dominante” e na Suíça também, e acelerar na Polónia, reforçando a liderança.

Alcançar o ‘top 10’ “é o nosso maior desafio, não é meu só, toda a equipa tem muito essa ambição”, diz, quando questionado.

“É muito importante sermos ambiciosos, o meu avô [Rui Nabeiro] ensinou-nos sempre que a ambição é uma coisa muito positiva”, salienta.

A empresa “será sempre mais sustentável, mais sólida” e terá “mais garantias de sucesso no futuro” quando trabalhar “em mais mercados”, diversificando, aponta.

O grupo atravessou “momentos muito difíceis durante pandemia e a seguir à pandemia”, tendo tido resultados negativos, o que “foi muito desafiante.

Por isso, ter uma “solidez que nos dê uma sustentabilidade financeira e económica é muito importante”, tal como “a dimensão é importante nesse contexto”, reforça.

Questionado sobre qual a maior lição que aprendeu do seu avô, Rui Miguel Nabeiro diz ser difícil de elencar uma.

“O meu avô ensinou-me quase tudo, mas, se tivesse que destacar uma ou duas, eu desde pequenino que a palavra que mais ouvia dele era humildade, e não era uma coisa barata”, refere, elegendo outra que é não dar passos maiores do que as pernas.

Por isso, chegar ao ‘top 10’ mundial significa fazê-lo com humildade, com os pés bem assentes no chão e sem dar saltos maiores que a perna.

“Quando digo que vamos fazer aquisições, vamos fazê-lo de forma muito sólida e muito rigorosa”, assevera Rui Miguel Nabeiro.

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