As energias renováveis contribuíram com 5,34 mil milhões de euros para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, representando mais de 1% da economia nacional, segundo o “Estudo de impacto das energias renováveis em Portugal”, apresentado esta quarta-feira em Lisboa.
O estudo, promovido pela Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN) e desenvolvido pela EY-Parthenon, indica ainda que o setor permitiu reduzir a fatura anual das famílias em até 636 euros e das empresas em mais de 63 mil euros.
Contributo económico e perspetivas de crescimento
De acordo com o relatório, o impacto económico das energias renováveis tem vindo a consolidar-se, com destaque para a energia eólica e hídrica, responsáveis por mais de 80% do impacto direto no PIB.
As projeções apontam para um crescimento superior a 370% até 2040, podendo o contributo do setor atingir 32,2 mil milhões de euros anuais, caso sejam ultrapassados constrangimentos como o licenciamento, o investimento em redes e a capacidade de armazenamento.
Emprego e receita fiscal em expansão
O número de postos de trabalho nas energias renováveis aumentou 224% desde 2014 e 121% entre 2021 e 2024.
O estudo refere também um crescimento das remunerações acima do ritmo de criação de emprego, associado à especialização e qualificação da mão de obra. Para 2040, prevê-se um aumento superior a 400% no emprego e uma subida de 29% no salário médio do setor.
No plano fiscal, a receita de IRS associada às energias renováveis cresceu 17% entre 2023 e 2024, podendo aumentar cerca de 500% até 2040 num cenário de desenvolvimento favorável.
Impacto na fatura energética e no mercado elétrico
Entre 2018 e 2025, a integração de energia renovável no Mercado Ibérico de Eletricidade gerou poupanças acumuladas de quase 42 mil milhões de euros.
Segundo o estudo, este efeito resultou da entrada de energia com custo marginal reduzido, contribuindo para a diminuição dos preços no mercado e refletindo-se diretamente nos consumidores.
Redução da dependência energética
O relatório destaca ainda o contributo das energias renováveis para a redução das emissões de gases com efeito de estufa e da dependência energética externa.
Nos últimos anos, a produção renovável evitou a importação de combustíveis fósseis, gerando uma poupança média anual de cerca de 2,4 mil milhões de euros.
Setor considerado estratégico
Citada no comunicado, Susana Serôdio, coordenadora de Políticas e Inteligência de Mercado da APREN, afirma que «as energias renováveis são hoje um ativo estratégico», destacando o impacto do setor na economia, no emprego e no rendimento das famílias.
A responsável refere ainda que o crescimento futuro depende de «decisões políticas, simplificação de processos e investimento estruturante».
O estudo foi apresentado esta quarta-feira, às 14h00, no EPIC Sana Amoreiras, em Lisboa, numa sessão que contou com a presença da Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.















