O vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA), com a pasta da Cultura, Roberto Grilo, afirmou esta sexta-feira, em Cabeção, que o vinho de talha produzido na freguesia “não é apenas um produto”, defendendo que a tradição deve continuar a ser valorizada e apoiada com medidas públicas adaptadas à pequena escala de produção.
As declarações foram feitas durante a sessão de abertura da 29.ª Prova do Vinho Novo, iniciativa que decorre ao longo do fim de semana e que, segundo o responsável, se tornou “uma referência no calendário do Alentejo”, por reunir identidade cultural, economia local e tradição agrícola no mesmo espaço. Roberto grilo
Vinho de talha visto como tradição, cultura e oportunidade económica
Roberto Grilo sublinhou que o vinho de talha representa “um saber fazer” e “uma forma de estar”, construído ao longo do tempo e transmitido “entre muitas gerações”, salientando que esta ligação ao território permite criar valor e atrair visitantes. Roberto grilo
Na leitura do vice-presidente da CCDRA, iniciativas como a prova de Cabeção demonstram que a agricultura deve ser entendida para além da produção, porque “é também transformação”, “património”, “turismo” e “uma marca territorial muito forte” que importa valorizar. Roberto grilo
Responsável defende apoio público para garantir rendimento aos produtores
Em declarações aos jornalistas, Roberto Grilo defendeu que a valorização do vinho de talha é essencial para proteger a tradição e elevar a qualidade, sublinhando que a produção tem uma identidade própria e que é necessário reforçar o seu valor económico.
«Não estamos a falar de um mero produto. Já estamos a falar de algo com uma identidade própria que precisamos de lhe acrescentar valor, porque quem faz esta produção precisa também de ganhar dinheiro», afirmou. Robettogrilo1
O vice-presidente da CCDRA considerou ainda que, sem apoio direcionado, pode ficar em causa a continuidade da pequena produção e de uma identidade específica associada ao vinho de talha, defendendo que é preciso “dar o salto da organização para a venda para o mercado”. Robettogrilo1
Três prioridades para responder aos desafios do setor
Nas palavras proferidas, Roberto Grilo apontou vários desafios que o setor agrícola enfrenta, como os custos de produção, a incerteza climática, a necessidade de maior eficiência no uso da água, a escassez de mão de obra e as dificuldades na sucessão geracional. Roberto grilo
Perante este cenário, apresentou três prioridades que considera fundamentais, começando pela valorização de quem produz, com medidas que ajudem a modernizar e a garantir viabilidade económica, sobretudo nas explorações de menor dimensão, que “preservam a autenticidade e a ligação ao território”. Roberto grilo
Em segundo lugar, defendeu que os instrumentos de apoio, incluindo os da Política Agrícola Comum (PAC), devem ser usados com foco no investimento útil e em práticas sustentáveis. Roberto grilo
Como terceiro ponto, destacou a necessidade de reforçar a cadeia de valor, lembrando que “não basta produzir bem”, sendo necessário “transformar, promover e diferenciar” para colocar o produto no mercado “com reconhecimento e a um preço justo”. Roberto grilo
Simplificação dos apoios considerada essencial
Roberto Grilo deixou ainda um apelo à simplificação dos procedimentos associados aos apoios públicos, defendendo que é necessário garantir que os mecanismos existentes sejam “uma ferramenta” para quem produz e não um obstáculo.
«É muito importante simplificar procedimentos para que os apoios não sejam um labirinto», afirmou. Roberto grilo
Concurso visto como instrumento para criar reputação e abrir portas
O vice-presidente da CCDRA destacou o papel do concurso de vinhos associado ao evento, considerando que é um elemento relevante para distinguir qualidade, reforçar reputação e abrir portas ao produto.
«O vinho de talha é um exemplo perfeito desta diferenciação», afirmou, acrescentando que iniciativas como a prova e o concurso de Cabeção ajudam “a criar reputação e a abrir portas”. Roberto grilo
“A tradição só é forte quando é capaz de gerar futuro”
A concluir, Roberto Grilo deixou uma mensagem centrada na sustentabilidade da tradição, defendendo que o vinho de talha deve continuar a afirmar-se como património cultural e ativo económico.
«A tradição só é verdadeiramente forte quando é capaz de gerar futuro», afirmou, desejando uma edição com participação e “muitos bons vinhos”. Roberto grilo















