A Biblioteca Pública de Évora inaugurou esta quinta-feira, 21 de agosto, a exposição «Reverberante Rosto», da artista plástica Dália Cordeiro. A mostra, que pode ser visitada até 19 de setembro, reúne 13 obras centradas na representação de rostos e contou com a presença da vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, responsável pela pasta da Cultura.
Dália Cordeiro apresentou a exposição como um reflexo do seu olhar crítico sobre a sociedade. «De uma forma geral, tenho uma atitude crítica sobre o que se passa no plano sociológico, em particular no âmbito sociotécnico, associado à tecnologia. O que aqui se encontra resulta em parte do que penso e que consigo exteriorizar através de muita cor e, principalmente nesta exposição, de muitos rostos que apresentam igualmente uma potência gestualista. A mostra intitula-se “Reverberante Rosto” precisamente por isso.
A artista sublinhou ainda a dimensão existencial e política da sua obra: «Há uma crítica dirigida a uma progressiva alienação do modo de vida humano, de funcionarmos sem observar, cada vez mais desfasados uns dos outros. Um dos quadros chama-se “Distopia” e reflete um possível destino da humanidade, em que a espécie poderá perder grande parte da sua autonomia, muito por culpa de sistemas tecnológicos. São este tipo de matérias que exteriorizo.»
Para o curador Augusto António Cabrita, a escolha da Biblioteca Pública de Évora como espaço expositivo foi natural: «Foi uma proposta apresentada. Considerámos que o espaço era muito digno, localizado no coração da cidade, e achámos que seria uma boa oportunidade para expor o trabalho da artista, que recentemente tem apresentado obras em prestigiadas exposições coletivas no estrangeiro. No entanto, é também importante dar a conhecer o seu trabalho através de exposições individuais».
O curador destacou ainda a força expressiva da pintura: «São 13 obras, algumas com inovação no modo como estão construídas. Eu considero que a artista tem uma certa violência na forma como expressa a sua atividade artística. O título da exposição tem a ver com isso, e em termos estéticos a mostra é uma viagem entre o expressionismo e o surrealismo.»
Na inauguração, Ana Paula Amendoeira sublinhou a relevância da programação cultural da Biblioteca Pública de Évora: «É a mais antiga biblioteca pública do país e tem um dinamismo assinalável no trabalho de programação cultural. Esta exposição da pintora Dália Cordeiro tem um trabalho ligado aos problemas da atualidade, nomeadamente da individuação da consciência, cada vez mais necessária num mundo que está quase sempre em distopia».
A dirigente realçou ainda a função crítica da arte: «A temática que subjaz a este conjunto de trabalhos vem enriquecer a programação da cidade e chama a atenção para questões que muitas vezes não queremos enfrentar porque são incómodas. A arte tem essa função de nos despertar criticamente para os problemas do nosso mundo, e esta exposição é um bom exemplo disso».
Entre a visão da artista, a leitura do curador e a perspetiva institucional, «Reverberante Rosto» afirma-se como uma exposição que cruza expressionismo e surrealismo com inquietações sociais, políticas e existenciais. A mostra está patente na Biblioteca Pública de Évora até 19 de setembro.






















