O circuito hidráulico de Reguengos de Monsaraz, integrado no Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, vai permitir a criação de cerca de 8.500 hectares de novas áreas de regadio, abrangendo os concelhos de Reguengos de Monsaraz, Évora e Redondo.
A informação foi avançada por José Pedro Salema, presidente do Conselho de Administração da EDIA, durante a visita do Ministro da Agricultura e Mar à obra, que decorre no distrito de Évora.
Ligação entre sistemas e reforço do regadio
Segundo o responsável, a infraestrutura «vai ligar o sistema de Alqueva até ao sistema da Vigia», permitindo reforçar a capacidade de abastecimento de água numa área já servida por uma barragem e rede própria.
O projeto inclui a construção de uma conduta com cerca de 25 quilómetros, com um diâmetro de 1,80 metros, permitindo o transporte de água ao longo de todo o sistema.
José Pedro Salema sublinhou que esta expansão do regadio era «desejada há muito tempo», tendo sido possível avançar apenas após a garantia de financiamento.
Investimento superior a 100 milhões de euros
A obra representa um investimento superior a 100 milhões de euros e foi dividida em cinco empreitadas, três das quais já se encontram em execução no terreno.
«Foi decidido, por princípios de boa gestão e controlo de risco, dividir em cinco grandes empreitadas», explicou o responsável, acrescentando que uma das restantes se encontra em concurso e outra será lançada em breve.
Entre as infraestruturas previstas está um novo reservatório, com capacidade equivalente a quatro campos de futebol e cerca de quatro metros e meio de profundidade, integrado no sistema global de Alqueva.
Integração no sistema de Alqueva
O novo reservatório será o 72.º do sistema de Alqueva, um conjunto de infraestruturas que inclui redes de distribuição de água subterrâneas e à superfície.
José Pedro Salema destacou que muitas destas obras não são visíveis, mas representam uma componente essencial do sistema. «Temos muitos tubos enterrados. Muitas vezes as pessoas só veem estas obras quando cruzam as estradas nacionais», referiu.
Impacto agrícola e territorial
De acordo com o presidente da EDIA, o reforço do regadio terá impacto direto na atividade agrícola da região, com a introdução de novas culturas e aumento da produção.
«Vamos ver mais culturas, mais olivais, mais amendoeiras, mais vinhas regadas, se calhar mais culturas de fruta», afirmou, apontando para a transformação da paisagem agrícola do Alentejo.
O responsável acrescentou que estas infraestruturas funcionam como «grandes artérias que levam vida ao Alentejo», ao assegurar o transporte de água para diferentes explorações agrícolas.
Abrangência territorial do projeto
O circuito hidráulico atravessa vários concelhos, incluindo Reguengos de Monsaraz, Évora e Redondo, estabelecendo uma ligação entre diferentes sistemas de regadio existentes na região.
Segundo José Pedro Salema, trata-se de uma intervenção estruturante no âmbito do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, com impacto na gestão de recursos hídricos e no desenvolvimento agrícola do território.















