A candidatura da Festa em Honra de Nossa Senhora da Boa Nova, em Terena, concelho de Alandroal, ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial entrou numa nova fase, com a abertura de um processo de recolha pública de documentação destinado a reforçar o dossiê técnico.
A iniciativa é promovida pela Confraria de Nossa Senhora da Boa Nova, no âmbito de um processo já em curso e desenvolvido em articulação com a Universidade de Évora e diversas entidades institucionais da região.
Recolha de documentação integra fase de instrução do processo
De acordo com a Confraria, o objetivo passa por reunir um conjunto alargado de elementos documentais que permitam sustentar a inscrição da manifestação na Matriz do Património Cultural Imaterial.
O apelo é dirigido a particulares e instituições que disponham de materiais relevantes para análise, nomeadamente fontes escritas e orais, cartografia, desenhos, fotografias, filmes e registos sonoros. Os contributos podem ser enviados em formato digital através do endereço eletrónico santuarioboanovaterena@gmail.com ou mediante contacto direto com a Confraria.
Esta fase insere-se no processo de inventariação, que exige a demonstração da relevância cultural, histórica e identitária da prática, bem como a sua continuidade e transmissão intergeracional.
Candidatura abrange dimensões religiosas, culturais e etnográficas
O avanço agora registado surge na sequência dos primeiros passos anunciados pela Confraria, que já havia confirmado a intenção de formalizar a candidatura ao inventário nacional.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, o juiz da Confraria de Nossa Senhora da Boa Nova, Nuno Pereira, indicou que o processo contempla “a festa e tudo o que está em torno ou que está associado a estas festividades”, abrangendo dimensões religiosas, culturais, gastronómicas e etnográficas.
“O que se pretende que fique registado é a parte religiosa e depois também a parte cultural e a parte etnográfica”, afirmou, referindo práticas como promessas, ofertas, deslocações de peregrinos ao santuário e tradições gastronómicas associadas à romaria.
Universidade de Évora assegura levantamento histórico
A construção do processo conta com o apoio da Universidade de Évora, responsável pelo levantamento histórico e documental. Segundo Nuno Pereira, já foram identificados registos com vários séculos de existência.
“Se eu lhe disser que tenho aqui uns estatutos de 1580 que vêm renovar os já existentes, vejam bem de onde é que isto não vem”, referiu, evidenciando a profundidade histórica da devoção associada à festa.
Processo envolve entidades religiosas e autárquicas
A candidatura integra ainda o contributo de várias entidades regionais, incluindo a Diocese e o Município de Alandroal. O responsável da Confraria confirmou a realização de reuniões institucionais no âmbito deste processo.
“O processo não está parado, está em andamento”, afirmou Nuno Pereira, acrescentando que a iniciativa conta com o envolvimento de diferentes parceiros, incluindo o Arcebispo de Évora e o executivo municipal.
Manifestação com expressão regional e continuidade histórica
A Festa de Nossa Senhora da Boa Nova, também conhecida como Festa dos Prazeres, realiza-se anualmente no fim de semana seguinte à Páscoa, tendo como epicentro o santuário classificado como Monumento Nacional desde 1910.
Com origem no século XIII, a romaria mantém práticas religiosas e culturais transmitidas ao longo de gerações, mobilizando peregrinos de diferentes pontos do país.
A inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial constitui um mecanismo de salvaguarda previsto na legislação em vigor, visando o reconhecimento formal de práticas com relevância para a identidade coletiva e a sua preservação futura.















