O podcast “Factos e Conversas”, do Jornal ODigital.pt, publica esta quarta-feira, às 14 horas, uma entrevista com Alexandre Correia, Grão-Mestre da Confraria do Boneco de Estremoz.
A conversa aborda a atividade da confraria, a preservação do figurado em barro reconhecido como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO e as perspetivas para o ano de 2026.
Durante a entrevista, Alexandre Correia faz um balanço do trabalho desenvolvido pela confraria desde a sua criação, em 2023, destacando a participação em eventos de artesanato e iniciativas de divulgação desta arte tradicional.
«Somos ainda uma confraria muito jovem, mas nestes primeiros anos já realizámos um conjunto de atividades que nos orgulha muito», refere.
A importância de divulgar o Boneco de Estremoz
Na conversa, o Grão-Mestre sublinha a importância de promover o Boneco de Estremoz fora do território para garantir a continuidade da tradição.
Segundo explica, apesar da forte procura pelas peças produzidas pelos barristas, é essencial manter uma presença regular em eventos nacionais.
«Se não divulgarmos fora de portas e não continuarmos a mostrar o que é o Boneco de Estremoz, corre-se o risco de deixar de se falar nele no futuro», afirma.
A confraria tem procurado responder a esse desafio através da participação em feiras de artesanato e iniciativas culturais em diferentes regiões do país.
Um património com mais de 300 anos
Durante a entrevista são também abordadas as origens do Boneco de Estremoz, cuja história remonta a mais de três séculos.
Alexandre Correia recorda que as primeiras figuras surgiram associadas à devoção religiosa.
«As primeiras figuras eram sobretudo de devoção, como Santo António, Nossa Senhora da Conceição ou São João», explica.
Com o tempo, o figurado em barro evoluiu para representar outras temáticas do quotidiano alentejano, mantendo uma estética e técnicas próprias que distinguem o Boneco de Estremoz de outras tradições cerâmicas.
Tradição, inovação e novas gerações
A entrevista aborda ainda a relação entre tradição e inovação nesta arte, bem como a importância de captar novos artesãos.
Para Alexandre Correia, a inovação é possível desde que respeite as características identitárias do figurado.
«Devemos inovar respeitando a tradição», afirma.
A ligação às escolas e às gerações mais jovens é apontada como um fator determinante para assegurar o futuro desta arte.
Planos da confraria para 2026
Entre os projetos previstos para 2026 está a realização da segunda edição do Mercado do Património Cultural Imaterial em Estremoz, marcada para os dias 5, 6 e 7 de junho.
A confraria pretende também reforçar a presença em feiras e eventos de artesanato em diferentes pontos do país, incluindo Barcelos, Caldas da Rainha, Tavira e Estremoz.
«O nosso principal objetivo é promover e divulgar o Boneco de Estremoz e os seus barristas», sublinha Alexandre Correia.
A entrevista completa poderá ser ouvida esta quarta-feira, às 14 horas, no podcast “Factos e Conversas”, disponível nas plataformas do Jornal ODigital.pt.















