A Universidade de Évora participou num estudo internacional que conclui que grandes falhas geológicas podem tanto facilitar como impedir a ascensão do magma à superfície, ajudando a explicar a ausência de erupção na ilha de São Jorge, nos Açores, em 2022, segundo uma notícia divulgada pela Lusa.
A investigação, publicada na revista científica Nature Communications, analisa um episódio de intensa atividade vulcânica e sísmica registado em março daquele ano, que não culminou numa erupção.
Universidade de Évora entre as instituições envolvidas
De acordo com a Lusa, o estudo contou com a colaboração de várias instituições internacionais e portuguesas, entre as quais a Universidade de Évora, além das universidades de Lisboa, Beira Interior e Algarve.
Entre os parceiros estão também o University College London (Reino Unido), o Conselho Superior de Investigações Científicas (Espanha), o Instituto Português do Mar e da Atmosfera e o Centro de Informação e Monitorização Vulcânica dos Açores.
Magma subiu, mas não atingiu a superfície
Os investigadores reconstruíram o movimento do magma sob a ilha de São Jorge com recurso a dados de satélite, medições GPS e registos sísmicos de alta precisão.
Segundo a informação divulgada pela Lusa, o magma ascendeu rapidamente desde mais de 20 quilómetros de profundidade até cerca de 1,6 quilómetros abaixo da superfície, onde acabou por parar.
Grande parte deste processo ocorreu com reduzida atividade sísmica, sendo a maioria dos sismos registados já numa fase posterior, quando o magma deixou de subir.
O autor principal, Stephen Hicks, do University College London, explicou que a ausência de sinais sísmicos claros dificultou a previsão de uma eventual erupção, de acordo com a agência.
Falhas geológicas influenciam evolução do magma
A investigação indica que o magma ascendeu ao longo da falha do Pico do Carvão, uma estrutura geológica associada a sismos significativos no passado.
Segundo os cientistas citados pela Lusa, estas falhas podem funcionar como vias de ascensão do magma, mas também permitem a libertação lateral de gases e fluidos, reduzindo a pressão interna e impedindo a erupção.
“Os resultados mostram que as intrusões magmáticas podem ocorrer rapidamente e com sinais precursores mínimos”, refere o estudo.
Conclusões aplicáveis a outros contextos
Apesar de nem todas as regiões vulcânicas apresentarem grandes falhas como as dos Açores, os autores consideram que as conclusões podem ser aplicadas a outros contextos, incluindo os vulcões das ilhas Canárias.
O estudo contou ainda com contributos do Centro Internacional de Investigação do Atlântico, do Instituto Politécnico de Lisboa e do Laboratório Colaborativo para as Geociências, segundo a Lusa.















