Em setembro, Vila Viçosa vai acolher o projeto “ARIA – Art, Rhythm, Intonaco, Analytics”, liderado pela investigadora Isabel Pires, da Universidade Nova de Lisboa.
O “ARIA” venceu um concurso, levado a cabo pelo “IN2PAST – Laboratório Associado para a Investigação e Inovação em Património, Artes, Sustentabilidade e Território” e que vai assim entrar em funcionamento já em setembro.
Segundo a própria, em declarações a’ODigital, este projeto que é mais «uma aventura», consiste «em fazer um estudo completo das duas salas que são conhecidas como a Biblioteca da Música do D. João IV».
Uma explicação ampla, mas que Isabel detalhou.
«É nossa intenção fazer uma análise dos materiais e da degradação dos mesmos, perceber qual é que é o estado de conservação e eventualmente propor estratégias de conservação dos materiais existentes», referiu Isabel Pires.
Para além disso, a investigadora pretende ainda «fazer um estudo histórico e historiográfico do que está representado nas pinturas».
Pretende-se também fazer uma digitalização do espaço. «Transformar aquelas duas salas em dois espaços virtuais, de modo que se possa ter acesso facilmente a uma virtualização daquele espaço para o estudar, para o conhecer», destacou.
«Depois vamos fazer estudo acústico, ou seja, tentar perceber como é que funciona a acústica daquele espaço. Vamos fazer medições dentro das salas e vamos fazer um estudo, uma vez que a maior parte dos livros arderam nos incêndios do terramoto de 1755, mas existe um documento de uma lista de metade dos documentos que lá estavam», acrescentou.
A partir deste estudo, Isabel pretende fazer um estudo dos «gostos do rei», assim «com este conhecimento, vamos procurar recriar o ambiente musical e sonoro, em função do conhecimento» e procurar responder a questões como «Que tipo de música eu tinha em maior quantidade? De que género era?».
«Base para outros projetos»
Segundo Isabel Pires, a amplitude deste “ARIA” é essencial, já que é também objetivo que «sirva de base para outros projetos».
A intenção é criar «uma equipa com uma ideia que se possa depois aumentar e que possa ser replicada noutros locais».
«Nós estamos convencidos que, cruzando estas áreas todas, temos um elemento de originalidade que é o de propor uma instalação que recrie o ambiente e o espaço», confessou ainda a investigadora.
O “ARIA”, desta feita, «não só vai criar conhecimento, como vai valorizar o espaço e, esperamos nós, atrair mais público».
«É uma coisa única»
Para Isabel Pires, foi “fácil” a escolha por Vila Viçosa e pela Biblioteca Musical de D. João IV.
«Isto surgiu numa reunião do ‘In2Past’, que foi realizada em Évora. Eu era a única pessoa de música que estava lá e emergiu a ideia de incluir a música num projeto tecnológico. Porque não a livraria de D. João IV?», revelou a investigadora.
A facilidade veio pela originalidade que o rei incutiu na sua livraria, já que «normalmente, os reis não têm livrarias musicais».
«Aquelas duas salas são únicas por terem sido construídas e terem sido feitas, ou adaptadas, pela razão que foram. O rei era sábio, gostava muito das ciências e das artes e investiu muito nelas», afirmou a investigadora, acrescentando que «daí a ter duas salsas completas, que são a livraria musical do rei, é uma coisa única».
Este «primeiro» projeto vai arrancar no dia 2 de setembro e que vai durar 12 meses, indo até agosto de 2025. «Isto é um projeto exploratório, de um ano e, portanto, é um projeto que é relativamente curto e que tem um financiamento curtíssimo para fazer este tipo de investigação», sublinhou Isabel Pires.















