A SEDES – Núcleo Distrital de Évora realizou, a 26 de fevereiro, no Palácio D. Manuel, um Encontro de Reflexão dedicado ao tema “Alterações Climáticas no Alentejo Central – Prevenção versus Reação e os Impactos Humanos, Económicos e Institucionais”. A iniciativa reuniu especialistas e responsáveis institucionais para debater respostas aos desafios climáticos na região.
Integrado no ciclo “Temas para o Território”, o encontro promoveu o diálogo entre ciência, políticas públicas e sociedade civil, destacando a necessidade de estratégias preventivas face ao aumento da frequência e intensidade de eventos extremos, à pressão sobre os recursos hídricos e aos impactos socioeconómicos no Alentejo.
Consenso científico e impactos no sul da Península Ibérica
Filipe Duarte Santos destacou o consenso científico quanto à origem antropogénica das alterações climáticas, referindo a correlação entre o aumento da concentração de dióxido de carbono e a subida da temperatura global desde a Revolução Industrial. Segundo o responsável, o aquecimento médio global já ultrapassa 1,5 °C em anos recentes e resulta sobretudo da dependência de combustíveis fósseis.
O presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável alertou para a intensificação de precipitações intensas, secas prolongadas e tempestades, bem como para a redução da precipitação no sul da Península Ibérica, com implicações na disponibilidade de água, agricultura e ecossistemas.
Defendeu a articulação entre mitigação e adaptação, sublinhando a importância do planeamento territorial, da gestão sustentável da água e da implementação de estratégias locais de resiliência.Referiu ainda projetos nacionais como o SIAM – “Cenários, Impactos e Medidas de Adaptação às Alterações Climáticas em Portugal” – e iniciativas municipais de adaptação.
Vulnerabilidade regional e capacidade institucional
Alexandre Borrega, especialista técnico no Joint Research Centre da Comissão Europeia e investigador associado ao CEFAGE da Universidade de Évora, apresentou uma perspetiva europeia sobre vulnerabilidade e resiliência regional.
Sublinhou que o impacto dos desastres climáticos depende não apenas dos fenómenos naturais, mas também da exposição territorial, da vulnerabilidade socioeconómica e da capacidade institucional. Segundo referiu, regiões com menor diversificação económica e instituições mais frágeis tendem a responder de forma reativa, enquanto territórios com melhor governação e planeamento preventivo conseguem antecipar riscos e reduzir impactos.
Custos económicos e aposta na prevenção
Miguel Rocha de Sousa, professor na Universidade de Évora e investigador associado ao CEFAGE e ao CICP, analisou as consequências económicas das alterações climáticas no Alentejo.
Embora Portugal tenha um peso reduzido nas emissões globais, salientou que os impactos económicos locais são significativos, apontando a vulnerabilidade associada às secas prolongadas, ao stress hídrico e à dependência de setores como a agricultura e o turismo. Referiu ainda perdas de produção, aumento de custos e pressão social decorrentes de eventos extremos.
Defendeu a prevenção como investimento estratégico, propondo planeamento territorial, eficiência hídrica, inovação agrícola e economia verde como pilares para reforçar a resiliência regional.
Cooperação e participação cidadã
O debate foi moderado por Luís Matias e contou com intervenções finais de Carlos Cupeto e Álvaro Beleza. Na síntese, foi sublinhada a importância da integração do conhecimento científico, da governação e da participação cidadã.
O encontro registou participação de representantes da comunidade e de instituições da região. Em conclusão, foi reafirmada a necessidade de antecipação e adaptação, assentes no ordenamento do território e em práticas adequadas aos ecossistemas locais, como pilares de resposta às alterações climáticas no Alentejo Central.















