O Alto Alentejo tem condições para afirmar o birdwatching como produto turístico, mas a oferta ainda não está devidamente estruturada. A conclusão foi assumida por responsáveis do sector durante uma sessão dedicada ao tema, realizada na Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre, esta sexta-feira.
“Não temos ainda um produto estruturante ao nível do birdwatching”, afirmou Manuela Murteira, da Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo, apontando a necessidade de organizar melhor a oferta e adaptar o território às exigências deste tipo de visitante.
Segmento atrai turistas com maior permanência e gasto
Apesar de ainda estar em consolidação, o birdwatching é visto como uma oportunidade clara para o território, sobretudo pelo perfil dos visitantes que atrai.
O diretor da Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre, Nuno Miranda, destacou que este tipo de turismo está associado a estadias mais longas e maior impacto económico local.
“Quem vem fazer observação de pássaros vai ficar dois, três ou quatro dias. São pessoas que não se importam de pagar por um produto que seja melhor”, sublinhou.
Segundo o diretor, trata-se de um segmento que, embora frequentemente classificado como nicho, tem vindo a crescer e a ganhar relevância.
Produto exige adaptação da oferta e das infraestruturas
A responsável pela ERT alertou que o desenvolvimento do birdwatching depende da capacidade de resposta do território, tanto ao nível dos serviços como das infraestruturas.
Manuela Murteira destacou que estes visitantes têm necessidades específicas, desde horários diferenciados até condições adequadas nos percursos e pontos de observação.
“O produto turístico só existe quando gera receitas”, afirmou, defendendo que a estruturação da oferta é essencial para transformar o potencial em retorno económico.
Estratégia passa por capacitar território e população
A Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA) já integra o birdwatching na sua estratégia de promoção do território, nomeadamente através de projetos ligados a percursos pedestres e valorização ambiental.
“O birdwatching é um ativo bastante interessante e relevante. Faz todo o sentido que nós consigamos promover esse produto”, afirmou Maria Fonseca, da CIMAA.
A responsável sublinhou ainda a importância de capacitar não apenas técnicos e autarquias, mas também a população local, para reforçar a capacidade de acolhimento e promoção.
Um nicho que pode ganhar escala
Também o Turismo de Portugal reconhece o potencial do segmento, sobretudo pela procura internacional e pela capacidade de gerar valor em diferentes áreas do turismo.
“Este segmento pode potenciar um conjunto de nichos que acrescentam bastante valor”, referiu Elisabete Mendes, diretora do Departamento de Gestão Pedagógica e Inovação.
Apesar disso, os responsáveis admitem que o crescimento deverá ser sustentado, evitando a massificação e garantindo a preservação dos recursos naturais.
Região dá primeiros passos para consolidar oferta
A sessão realizada em Portalegre evidenciou um sector ainda em fase de organização, mas com ambição de crescimento.
Entre formação, investimento e estratégia territorial, o Alto Alentejo procura afirmar o birdwatching como produto turístico, num processo que está em curso, mas ainda longe de estar consolidado.











































