O Arcebispo de Évora, Francisco Senra Coelho, na bênção do Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora do Rosário, de São Pedro do Corval, referiu, à margem do evento, que o setor social em Portugal, pode estar em risco.
«As nossas IPSS têm estado em aflição tremenda, de corda ao pescoço, a vender o património que têm e a gastar o mealheiro que têm», referiu, dizendo ainda que «isto é muito grave».
Destacou que se as instituições «não subsistirem», que haverá «uma crise muito grave a nível nacional».
«Apelo para que o Governo português tenha em conta esta emergência nacional, porque no terreno continuamos a ouvir circunstâncias muito gravosas e difíceis», sublinhou o arcebispo.
«O Estado assumiu em 2006 que ia dar 50% das despesas com os doentes a estas instituições. Pelo menos que cumpra com o que prometeu», acrescentou ainda.
Deu ainda o exemplo que um idoso numa Estrutura Residencial para Idosos (ERPI) custa cerca de 1 450€ por mês e que «acabam por ter uma ajuda entre a reforma e a comparticipação que não chega a 900€». Depois, «a instituição tem de encontrar mais de 500€ para cada idoso».
Francisco Senra Coelho realçou que tem havido um «dialogo muito difícil» entre a União das IPSS, a União das Santas Casas da Misericórdias e com o Estado, mas que, neste momento, «penso que que desde 2011 que só dá 37%, fica com uma retenção de 13%».
«São formas malabarista de equilibrar o orçamento, fazendo a retenção para não dar um déficit negativo. É um orçamento fictício e fantasioso», alertou.
O arcebispo revelou ainda que o que a «igreja faz» com as IPSS e associações «sai muitíssimo mais económico do que aquilo que o Estado faz»: «É incomparável».
«É um problema das pessoas e do nosso país, porque se estas instituições não subsistirem, a situação social em Portugal entra num retrocesso social e numa situação de rutura social gravíssima», concluiu.















