O Congresso Nacional do Azeite regressa a Moura no próximo dia 8 de maio, para a sua nona edição, com um programa centrado nos principais desafios e perspetivas do setor olivícola em Portugal, incluindo a inovação tecnológica, a valorização do produto e a escassez de mão de obra.
Promovido pelo Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo (CEPAAL), o encontro pretende afirmar-se como um espaço de reflexão e partilha entre os diferentes agentes da fileira.
“O que nós pretendemos com este congresso é criar um espaço de reflexão e partilha que ajude todo o setor a responder aos desafios atuais e a projetar uma visão futura”, afirma o presidente do CEPAAL, Manuel Norte Santo, em declarações ao jornal ODigital.pt.
Segundo o responsável, a iniciativa procura “mobilizar todo o ecossistema do setor”, incluindo produtores, lagares, técnicos, academia, empresas tecnológicas e decisores políticos.
Programa estruturado em três painéis
O congresso será organizado em três painéis com abordagens distintas, desde a produção à comercialização.
O primeiro painel, dedicado à eficiência e diversidade no olival nacional, pretende reunir diferentes modelos de produção. “A nossa ideia é criar este espaço de partilha e discutir o que pode vir a ser o futuro do olival”, refere Manuel Norte Santo.
Já o segundo painel centra-se na inteligência artificial e nas novas tecnologias aplicadas ao setor. Apesar do interesse crescente, o presidente do CEPAAL reconhece que “no nosso setor ainda não há casos específicos de utilização de inteligência artificial, tanto a nível agrícola como na extração de azeite”.
O terceiro painel será dedicado à valorização através da diferenciação, reunindo exemplos de diferentes áreas. O objetivo passa por responder a uma limitação identificada no setor: “temos falhado um pouco em não conseguir converter esta vantagem produtiva em vantagem comercial”.
Mão de obra e futuro do trabalho em análise
Entre os momentos previstos está também a apresentação de um estudo sobre a evolução do trabalho na agricultura em Portugal, num contexto marcado pela escassez de trabalhadores.
“O trabalho na agricultura é um grande desafio atualmente para os produtores. Existe uma escassez de mão de obra muito grande”, sublinha Manuel Norte Santo, apontando ainda dificuldades na atração de trabalhadores mais jovens.
Aproximação entre setor e decisores políticos
Outro dos objetivos da organização passa por reforçar a ligação entre o setor e os responsáveis políticos, promovendo o diálogo direto sobre necessidades e desafios.
“O futuro do setor passa por parcerias sólidas entre quem produz, quem investiga e quem desenvolve tecnologia”, refere o presidente do CEPAAL, defendendo também a importância de aproximar os governantes da realidade agrícola.
Nesse sentido, o congresso contará com a presença de responsáveis institucionais, numa tentativa de reforçar essa articulação.
Moura volta a receber o congresso
A escolha de Moura para acolher esta edição está relacionada com o papel do concelho no setor olivícola. A região é considerada um dos principais polos de produção e transformação do azeite em Portugal.
A organização espera que o congresso contribua para reforçar a cooperação entre os diferentes agentes e para estimular a reflexão sobre o futuro da fileira.
“A mensagem é de mobilização e união. Devemos concentrar-nos naquilo que nos une, que é a valorização do azeite do Alentejo, e manter uma atitude aberta à inovação e ao desenvolvimento”, conclui Manuel Norte Santo.















