Um estudo apresentado no Parlamento Europeu concluiu que a caça, o tiro desportivo e os setores associados geram anualmente 180 mil milhões de euros na economia europeia. A atividade sustenta mais de 1,1 milhões de empregos em 30 países, incluindo todos os Estados-Membros da União Europeia, Noruega, Suíça e Reino Unido.
A investigação foi conduzida pela Universidade de Urbino e revela que o conjunto do setor, incluindo serviços, cadeias de abastecimento e efeitos indiretos, representa cerca de 0,99% do Produto Interno Bruto (PIB) europeu.
Durante a sessão de apresentação, a eurodeputada Isabel Benjumea destacou que os decisores europeus devem considerar estudos desta natureza ao elaborar políticas que afetem setores com relevância económica e social. «A caça e o tiro desportivo demonstram benefícios claros para a sociedade, que devem ser salvaguardados e promovidos», afirmou.
O representante da Comissão Europeia, Frank Vassen, referiu que a União Europeia possui um quadro legal sólido para proteger espécies e habitats. «Garantir um ambiente saudável é essencial para o futuro da vida selvagem e das comunidades que dela dependem, incluindo os caçadores», disse, sublinhando o papel da nova Lei de Restauração da Natureza na promoção da biodiversidade.
Segundo o professor Fabio Musso, autor principal do estudo, o trabalho baseou-se numa análise abrangente do impacto socioeconómico dos setores civis de armas e munições. «Trata-se de um estudo único que avalia o valor do setor em termos de volume de negócios e emprego», referiu.
O relatório mostra que os caçadores e praticantes de tiro desportivo na Europa gastam, anualmente, cerca de 96,3 mil milhões de euros, excluindo a compra de armas e munições. O emprego associado a este consumo representa mais de 575 mil trabalhadores em produtos e serviços. A indústria europeia de armas regista um excedente comercial de 1,36 mil milhões de euros e a de munições 399 milhões de euros.
A investigação identifica 218 empresas de armas, com 16.188 empregados e um volume de negócios de 3,27 mil milhões de euros. A indústria de munições inclui 193 empresas, 10.822 trabalhadores e um volume de 2,54 mil milhões de euros. Os setores complementares empregam mais de 40 mil pessoas, com uma faturação de 6,28 mil milhões de euros.
Laurens Hoedemaker, presidente da Federação das Associações de Caça e Conservação da UE (FACE), afirmou que o estudo demonstra um valor socioeconómico superior ao anteriormente estimado. «O nosso papel é garantir que existam quadros sólidos na Europa que apoiem os caçadores e um meio rural saudável», referiu.
O diretor executivo da British Association for Shooting and Conservation (BASC), Ian Bell, salientou o contributo do tiro no Reino Unido. «Só no Reino Unido, o tiro gera 3,3 mil milhões de libras por ano, gere mais de 7,6 milhões de hectares e apoia 146 mil empregos», indicou.
Thierry Jacobs, presidente da Associação Europeia de Fabricantes de Munições (AFEMS), referiu que o setor representa quase 1% do PIB europeu, devendo esse peso ser reconhecido pelas instituições da União Europeia. Já Bertille Seive, presidente da IEACS, destacou o contributo das empresas europeias que empregam mais de 16 mil pessoas e geram um volume de negócios de cerca de 3 mil milhões de euros.
Luciano Rossi, presidente da Federação Internacional de Tiro Desportivo (ISSF), considerou que o estudo valoriza a importância económica do tiro desportivo e a ligação entre esta prática e a indústria europeia.
O estudo não analisou outros aspetos, como o contributo económico da carne de caça nem os benefícios ambientais e sociais da atividade. Estes temas poderão ser incluídos em futuras investigações.















