A Universidade de Évora (UÉ) inaugurou, esta quinta-feira, uma infraestrutura científica pioneira dedicada à investigação do uso de sais fundidos na conversão termoelétrica da energia solar.
Designada Évora Molten Salt Platform (EMSP), a infraestrutura é desenvolvida e operada em parceria com o Instituto de Investigação Solar do Centro Aeroespacial Alemão (DLR na sigla em alemão).
Em declarações aos jornalistas, Pedro Horta, Investigador Coordenador Convidado (Cátedra Energias Renováveis), da Universidade de Évora, explicou que “é o culminar de um esforço de muitos anos a construir uma infraestrutura que é que é única na Europa e que estabelece um novo standard para a indústria do solar térmico de concentração”, acrescentando que “é tecnologia que já tem provas dadas na Europa e a Espanha, é líder mundial nesta tecnologia, mas também a Alemanha no desenvolvimento de todos os componentes e é por isso que esta parceria com o DLR dos nossos parceiros alemães é tão frutífera e tão importante”.
Já sobre o funcionamento desta tecnologia, Pedro Horta, disse que “esta tecnologia tem uma componente muito importante, que é a capacidade de armazenar energia para poder entregar mais tarde”, especificando que “com estas centrais térmicas nós temos essa capacidade porque utilizamos sistemas de armazenamento térmico, que são sistemas que podem ser de muito maior capacidade e de muito menor custo e, portanto, a grande diferença entre a conversão fotovoltaica e aquilo que nós temos aqui é de facto esta capacidade de entregar eletricidade quando efetivamente precisamos dela.”
Presente na cerimónia esteve João Galamba, Secretário de Estado do Ambiente e da Energia, que destacou o “importante papel de liderança tecnológica da Universidade de Évora e o extraordinário trabalho que a cátedra de Excelência de Évora tem feito neste campo”, acrescentando que “este é um excelente exemplo de como as universidades podem ser parceiros de tecnologia, podem desenvolver tecnologia e podem ser polos de atração e de congregação de um conjunto de empresas de inovações tecnológicas.”
Já sobre o projeto agora inaugurado, João Galamba disse que “é um projeto com forte envolvimento alemão, com tecnologia avançada e que mostra, de facto, o trabalho de forte entrosamento que a Universidade de Évora tem tido com o tecido empresarial e com a inovação”, frisando que “é a demonstração de que as renováveis na sua variedade e estamos aqui a falar não do tradicional solar fotovoltaico ou do eólico, ou das barragens ou da biomassa, mas sim de uma tecnologia diferente, solar de concentração que permite, através da energia solar, ter a produção de eletricidade com um armazenamento de maior duração, a custos bastante competitivos.”
O campo solar da EMSP é constituído por 36 coletores cilindro-parabólicos de grande dimensão, com um comprimento total de 684 metros e uma potência nominal de 3,4 megawatts (MW) térmicos.
Dispõe de um circuito hidráulico solar, onde circulam sais fundidos, sendo o sistema de armazenamento composto por dois tanques, um frio e outro quente, com uma capacidade de 35 metros cúbicos cada.
A infraestrutura contempla ainda um tanque experimental de armazenamento térmico, recorrendo a materiais inovadores, com um volume de 30 metros cúbicos.
Na EMSP, vai ainda ser instalado um campo de concentradores solares do tipo Advanced Linear Fresnel Refletor (ALFR), com 28 metros quadrados, que irá utilizar sais fundidos como fluido de transferência de calor e como meio de armazenamento de calor, indicou a universidade alentejana.
Fique de seguida com as imagens da inauguração deste equipamento, numa reportagem de Hugo Calado:















