A exposição de cerâmica “Erro como Desvio Criativo”, das artistas Cristina Claro e Carolina Ennes, foi inaugurada a 30 de abril, no Lavadouro Municipal de Vila Viçosa, reunindo um conjunto de peças que partem do erro enquanto elemento central do processo criativo.
A mostra propõe uma abordagem à cerâmica onde a falha inicial deixa de ser descartada e passa a integrar o resultado final. Segundo Cristina Claro, curadora e uma das autoras, “o que está em exposição são peças que advêm de um suposto erro”, acrescentando que o trabalho desenvolvido passa por “reutilizar, reinventar, recuperar e dar-lhe uma nova vida”.
Do acidente à intenção
A base das obras expostas assenta em peças que não corresponderam ao resultado esperado numa fase inicial, mas que foram posteriormente transformadas. “Inicialmente foi acidente, mas pegamos nessas peças que não correram como era suposto na fase inicial e foi reinventado. Portanto, não foi propositado o erro inicial, mas foi propositado o uso do erro para o resultado final”, explica Cristina Claro.
A artista destaca que o erro assume um papel estruturante no processo criativo, sendo entendido como parte integrante da prática artística. “Para mim, o erro é mais uma forma de aprender, olho para aquilo como uma lição”, refere.
Entre frustração e descoberta
A relação com o erro evolui ao longo do percurso artístico. Cristina Claro admite que, numa fase inicial, o erro pode gerar frustração, mas sublinha uma mudança de perspetiva com a experiência. “Em certas situações é quase satisfação errar, olhar para um erro e dizer: ‘Uau, não era isto que eu queria, mas afinal é uma revelação’”, afirma.
A curadora aponta ainda para uma leitura mais ampla do conceito, defendendo que o erro pode ser reinterpretado também fora do contexto artístico. “Um erro não é lixo, é uma lição e um começo”, acrescenta, enquadrando o tema da exposição numa reflexão sobre aprendizagem e transformação.
Lavadouro Municipal como espaço de criação contemporânea
A exposição insere-se na estratégia do Município de Vila Viçosa de dinamização cultural e valorização de espaços requalificados. O vice-presidente da autarquia, Tiago Salgueiro, refere que o antigo lavadouro foi adaptado para acolher iniciativas culturais, mantendo a sua estrutura original.
“É uma exposição de arte contemporânea que remete para o universo da cerâmica e para os trabalhos que estas duas artistas têm vindo a desenvolver”, afirma o responsável, sublinhando a intenção de criar “uma nova leitura do edifício com a integração de um novo olhar sobre a arte contemporânea”.
Património e contemporaneidade em diálogo
Para Tiago Salgueiro, a programação cultural do concelho deve articular o património histórico com a produção artística atual. O autarca considera que o tema da exposição reforça essa ligação, ao associar o erro à aprendizagem.
“Através do erro conseguimos fazer essa aprendizagem, não temos que ser perfeitos no nosso dia a dia, temos que tentar sempre melhorar”, afirma, apontando para a mensagem subjacente à mostra.
A exposição “Erro como Desvio Criativo” pode ser visitada até 31 de maio, no Lavadouro Municipal de Vila Viçosa. O horário decorre entre as 09h30 e as 13h00 e das 14h30 às 18h00, com encerramento às segundas-feiras e feriados. A entrada é gratuita.





































































