O Jornal ODigital publica uma reportagem vídeo com o testemunho de um jovem natural do concelho de Vila Viçosa que decidiu viajar para a Ucrânia para integrar a Legião Internacional e combater no conflito armado que se prolonga desde 2022.
O entrevistado aceitou falar antes da partida no podcast “Factos e Conversas”, explicando as razões pessoais e políticas que o levaram a tomar esta decisão, bem como os receios e a convicção com que encara o que o espera no terreno.
“Hoje é Ucrânia, amanhã pode ser Portugal”
Ao longo da conversa, o jovem defende que a invasão russa representa, no seu entendimento, uma ameaça que pode ultrapassar as fronteiras ucranianas.
«Hoje é Ucrânia, amanhã pode ser Portugal», afirmou, deixando uma mensagem a quem acompanha a guerra à distância. «Alguém tem que fazer esse sacrifício e se mais ninguém o fizer, alguém tem que fazer.»
Percurso militar e ligação aos bombeiros
O jovem recorda que teve formação militar no Exército Português, com passagem pelo Regimento de Tropas Paraquedistas em Tancos e pelo Regimento de Cavalaria Nº3, em Estremoz, onde integrou o Esquadrão de Reconhecimento.
Depois de sair das Forças Armadas, regressou à atividade nos Bombeiros de Vila Viçosa, onde desempenhou funções numa Equipa de Intervenção Permanente.
«Entrei nos bombeiros em 2010», contou, acrescentando que mantém o vínculo como voluntário.
Decisão pensada desde 2022
Segundo explicou, a vontade de se juntar à Legião Ucraniana começou a ganhar forma ainda em finais de 2022.
«Nunca se pode agir de cabeça quente», disse, sublinhando que ponderou o passo durante meses até surgir a oportunidade de integrar um batalhão com presença de outros portugueses.
Preparação física e psicológica
O entrevistado descreveu também o processo de preparação para enfrentar um cenário de guerra, destacando o treino diário e a disciplina mental como fatores essenciais.
«A mente quem controla somos nós», afirmou. «Há mais convicção. Os pensamentos têm que ser positivos.»
O peso da família e o risco da guerra
Questionado sobre o impacto da decisão junto da família, reconheceu que a reação foi marcada por tristeza e revolta.
«Nota-se perfeitamente a revolta», afirmou, acrescentando que os familiares não tentaram demovê-lo por saberem que a decisão está tomada.
Sobre a possibilidade de não regressar, admitiu que pensa nesse cenário, mas considera que isso não o impede de avançar.
Uma mensagem final
No final da reportagem, o jovem deixou um apelo para que a sua decisão não seja julgada de forma precipitada, reiterando que vê a sua escolha como um gesto de defesa e solidariedade.
«Não façam julgamentos errados», afirmou. «Se fosse Portugal, nós agradeceríamos a ajuda de todos os que pudessem vir ajudar.»















