O presidente da Confraria do Vinho de Talha de Cabeção, José Vieira, defendeu esta sexta-feira que o vinho produzido na freguesia deve ver reconhecida a designação “vinho de talha”, considerando que Cabeção não pode continuar impedida de usar esse enquadramento, apesar de manter um método tradicional de produção que distingue o produto no Alentejo.
Em declarações aos jornalistas no âmbito da XXIX Prova do Vinho Novo de Talha de Cabeção, José Vieira sublinhou a importância do evento na valorização do produto e no reforço da ligação da comunidade à tradição. «Durante estes dias, mais uma vez, valoriza-se o vinho de talha aqui de Cabeção. É importante esta valorização», afirmou.
Confraria quer proteger a tradição e garantir sustentabilidade
José Vieira explicou que a Confraria nasceu com o propósito de proteger e preservar este património, deixando claro que a continuidade do vinho de talha depende também de retorno económico para os produtores.
«A confraria começou essencialmente para isto, para o proteger, para não o perdermos. É para o valorizarmos, porque tem que haver algum retorno para que seja sustentável nós continuarmos com este processo de vinho», afirmou, salientando que se trata de um método de produção exigente e dispendioso.
Presidente aponta problema na designação usada fora das sub-regiões
O responsável alertou para as limitações que afetam produtores localizados fora das sub-regiões oficialmente reconhecidas, defendendo que isso tem impacto direto na forma como o vinho pode ser comercializado e apresentado ao consumidor.
«Como estamos fora de uma sub-região, não podemos usar a designação talha. Temos que usar a designação ânfora. E nós, como alentejanos, não podemos permitir que sejamos excluídos desta utilização da talha», afirmou José Vieira.
Questionado sobre a posição da Comissão Vitivinícola Regional (CVR), o presidente da Confraria referiu que está em curso um trabalho de valorização histórica e documental sobre o vinho de talha de Cabeção, que pretende apresentar num futuro próximo.
José Vieira explicou que foi preparado um livro, em colaboração com o investigador José Calado, reunindo a história do vinho de talha de Cabeção, defendendo que o reconhecimento da designação será “de inteiro mérito e de inteira justiça”.
Prova do vinho e rotas atraem visitantes e geram impacto na economia local
Nas declarações prestadas aos jornalistas, José Vieira destacou que a Prova do Vinho Novo de Talha é também um motor de dinamização local, com impacto na restauração, no comércio e na afluência de visitantes ao concelho.
«Esta prova é muito importante para a vila, para o concelho e para os produtores, porque traz pessoas à vila, traz pessoas ao concelho, traz pessoas aos restaurantes e traz-nos vendas também», referiu, acrescentando que, numa vila com menos habitantes, ter Cabeção cheia durante os três dias do evento “é muito importante”.
Concurso e apoio técnico contribuem para melhorar a qualidade
Sobre a qualidade do vinho de talha, José Vieira considerou que se tem registado evolução nos últimos anos, apontando o concurso como um estímulo à melhoria dos vinhos apresentados.
«Este concurso que vocês veem aqui hoje é a ideia mesmo essa, é que as pessoas possam apresentar o melhor e que tenham que se preocupar em fazer o melhor», afirmou, acrescentando que a Confraria presta apoio técnico aos produtores, incluindo ao nível de análises, para garantir vinhos com qualidade superior.
José Vieira referiu ainda que o feedback recolhido indica que existem vinhos locais “únicos no Alentejo”, defendendo que o vinho de talha de Cabeção se distingue pelo território, pelas castas e pela implantação das vinhas, fatores que, em conjunto, resultam num produto com características próprias.















