O presidente da Câmara Municipal de Mourão, João Fortes, esteve reunido com o Ministro da Agricultura e das Pescas, José Manuel Fernandes.
A reunião, que ocorreu de forma «muito pacífica», segundo o autarca, teve como um dos pontos a debater, o «alargamento do perímetro de rega no concelho de Mourão».
«Foi quase uma confirmação daquilo que acreditávamos quer era uma reposição histórica, uma vez que, depois do projeto de Alqueva, quer queiramos quer não, Mourão foi certamente o município mais prejudicado», destacou o presidente em declarações a’ODigital.
Freguesias de Mourão e de Granja
Referiu que compreende que foi um projeto «de desígnio nacional e importante para o desenvolvimento regional», contudo «forçou-nos a abdicar de um terço do território, mais o abandono de uma fábrica que aqui existia e que não se voltou a fixar».
Desta forma, e com o referido “terço do território” inundado pela barragem, João Fortes exorta o governo para o referido alargamento que teria como principais beneficiários os agricultores das freguesias de «Mourão e de Granja».
«Temos a água ao nosso lado e não a podemos utilizar», atirou o edil mouranense, esclarecendo que a «a tutela garantiu-nos que já tinham entrado em diligências com a empresa EDIA, no sentido de perceber a sua posição face a esta nossa intenção».
«Não tem existido uma iniciativa clara no avanço desta matéria, que é muito importante para investidores e para agricultores a nível local», acrescentou.
Porém, o autarca definiu que, mesmo o município dando o «mote de partida» e «avalizando uma área mínima possível de início de alargamento do perímetro de rega para a freguesia de Mourão», não existe ainda indicações «claras» sobre a possibilidade de Granja.
«Agora está também, em parte, nas mãos do município dar o tiro de partida para começarmos a definir a área que gostaríamos que fosse implementada esta expansão. Em paralelo com isto, teremos de também reunir com o Ministro do Ambiente, porque é possível que tenha de existir alguma exclusão de zonas protegidas para que isso seja possível», explicou ainda o presidente.
Plano Nacional de Regadio
Segundo as mesmas declarações, o concelho de Mourão tem «278 km2 e 17 hectares dentro de zonas protegidas e altamente restritivas» que não «compadecem com o desenvolvimento de uma região do interior, onde carece a indústria».
Será por isso que haverá «sensatez» nesta decisão, já que «queremos que exista um estudo prévio»: «Não queremos que agora alguém faça um bloco de rega só por fazer».
Assim, recordou que o PSD apresentou já uma proposta para os referidos estudos e que foi «chumbada em sede de especialidade na Comissão de Agricultura». Posto isto, «gostava que fosse um desígnio, incluiu Mourão no Plano Nacional de Regadio e que existisse um estudo de impacto ambiental e de viabilidade económica».
João Fortes criticou também as «respostas» que tem recebido até agora: «Têm sido sempre “Não há hipótese”, ou “Não pode ser”, mas sem factos concretos».
«Começo a acreditar que há mesmo falta de vontade de algumas entidades em ver o concelho desenvolvido ou abrangido por estes investimentos», exaltou.
EDIA
Em relação à Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), gestora do Alqueva, o presidente demonstrou-se claro dizendo que «não tem mostrado a abertura que eu gostava que mostrasse, apesar da boa relação que temos tido e que temos».
«Diria que também é parte responsável pelo ‘falecimento’ e pelos ‘cuidados primários’ em que tem estado sujeito Mourão a nível do desenvolvimento económico», atirou ainda.
O autarca confessou ainda que a empresa «continua a não cooperar com redondos “Não’s” e “Não pode ser”».
Contudo, sublinhou que tem esperança de que agora, «com um novo compromisso do governo e com um novo governo eleito, se altere substancialmente e passem a ser também mais abertos à perspetiva que Mourão também merece».
«Reconheço que há condicionantes, mas também quando as há, há soluções para garantir a implementação dos projetos», aclarou o autarca.
Voltando à reunião, João Fortes demonstrou-se otimista, dizendo que «as notícias são boas» e que espera que possa «modernizar e desenvolver a agricultura e o tecido empresarial de Mourão».















