A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) tem a decorrer, entre 7 e 27 de abril de 2026, a consulta pública da Proposta de Definição de Âmbito (PDA) do projeto da central fotovoltaica de Gáfete e da linha de muito alta tensão associada, localizada nos concelhos de Crato e Nisa, no distrito de Portalegre.
O projeto é promovido pela empresa Hyperion Renewables Nisa, Unipessoal, Lda., e encontra-se em fase preliminar de Avaliação de Impacte Ambiental, sob coordenação da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
Central prevê mais de 180 mil painéis e potência de 120 MW
De acordo com a documentação consultada pelo Jornal ODigital.pt, a central fotovoltaica terá uma potência instalada de 120 MWp e uma potência de ligação de 100 MVA, com uma produção anual estimada de cerca de 222 GWh.
O projeto prevê a instalação de 181.819 módulos fotovoltaicos, com potência unitária de cerca de 650 Wp, distribuídos por estruturas do tipo “tracker”, que acompanham o movimento do sol.
A infraestrutura incluirá ainda:
- 667 inversores
- 29 postos de transformação
- Subestação elétrica 30/400 kV
- Sistema de armazenamento com capacidade de 200 MWh, distribuído por cerca de 40 contentores de baterias
A área ocupada por painéis e equipamentos associados ronda os 58 hectares.
Linha elétrica de até 22 quilómetros para ligação à rede
A energia produzida será escoada através de uma linha de muito alta tensão (400 kV), com extensão estimada entre 18,5 e 21,9 quilómetros, até à subestação da Falagueira, no concelho de Nisa.
O traçado abrange várias freguesias, incluindo Gáfete (Crato), Tolosa, São Matias e a União das Freguesias de Arez e Amieira do Tejo.
Parte do corredor da linha elétrica atravessa a Zona Especial de Conservação Nisa/Lage da Prata, área integrada na Rede Natura 2000.
Projeto ainda sem valor de investimento definido
O documento em consulta não apresenta o valor de investimento associado ao projeto.
A PDA corresponde a uma fase inicial do processo ambiental, destinada a definir o conteúdo do Estudo de Impacte Ambiental (EIA), onde serão detalhados custos, localização final e medidas de mitigação.
Impactes ambientais incluem desmatação e alterações ao território
Entre os principais impactes identificados para a fase de construção estão:
- Desmatação e remoção de vegetação
- Movimentação de terras e alteração local da morfologia
- Emissões de poeiras e dióxido de carbono associadas à obra
- Aumento do tráfego de veículos pesados
O documento refere ainda a possibilidade de afetação de elementos naturais como azinheiras e sobreiros isolados, embora sem quantificação nesta fase.
Na fase de exploração, são apontados:
- Impacte visual permanente da central no território
- Necessidade de manutenção com corte regular de vegetação
- Emissões sonoras dentro dos limites legais
Por outro lado, o projeto é enquadrado como contributo para a produção de energia a partir de fontes renováveis e para a redução de emissões de gases com efeito de estufa.
Consulta pública decorre online até 27 de abril
Os interessados podem consultar a documentação e apresentar contributos através do portal Participa até ao final do período de consulta pública.
Esta fase permitirá definir os termos do Estudo de Impacte Ambiental, que irá aprofundar a avaliação dos efeitos do projeto no território, incluindo a quantificação de impactes e a definição de medidas de minimização.















