O Festival Literário Terroir foi inaugurado este sábado, 18 de abril, em Reguengos de Monsaraz, assumindo-se como uma nova etapa na programação cultural do concelho e com o objetivo de afirmar o território no panorama literário regional e nacional.
A iniciativa resulta da transformação da tradicional Feira do Livro, que, segundo a presidente da Câmara Municipal, Marta Prates, evoluiu a partir de um processo de reflexão sobre o futuro cultural do concelho. «Começou a ser concebido há muitos meses ainda como Feira do Livro», referiu, explicando que o projeto foi sendo redefinido até ganhar «uma nova dimensão» enquanto festival literário.
Uma ligação entre literatura e território
O conceito do Terroir parte da relação entre a literatura e o território, inspirado na terminologia associada ao vinho, elemento identitário da região. Marta Prates sublinhou essa ligação ao referir que «o terroir é a terra que é responsável pelo sabor do vinho» e que essa ideia foi transposta para a criação literária, entendida como resultado das vivências e do contexto de cada autor.
A presidente destacou ainda a ambição do projeto, afirmando que o objetivo passa por consolidar o evento além da dimensão local. «Aquilo que nós queremos é ser não um festival local, mas um festival regional», apontou, acrescentando que a intenção é evoluir «para um nome nacional».
Cultura como eixo de desenvolvimento regional
Na cerimónia de inauguração, o deputado à Assembleia da República, eleito pelo círculo de Évora, Francisco Figueira, enquadrou o festival no atual contexto cultural do Alentejo. O parlamentar considerou que a região vive «um momento de grande exaltação cultural», defendendo que iniciativas como o Terroir contribuem para valorizar a identidade local.
Nas palavras proferidas, destacou também o papel da cultura enquanto elemento agregador, referindo que o festival representa «um momento de exaltação do nosso povo, da nossa cultura, da nossa forma de estar e de ser», construída ao longo de várias gerações.
Um projeto construído pela comunidade
A vereadora da Cultura, Dina Simão, sublinhou o caráter coletivo da iniciativa, indicando que o festival «nasce do território e para o território», tendo sido desenvolvido com o envolvimento de diversas entidades locais, desde serviços municipais a associações, escolas e agentes culturais.
A responsável destacou ainda a aposta na descentralização, com atividades distribuídas por todo o concelho, e a intenção de alargar o alcance do evento. «É um festival que queremos que cresça para lá das nossas fronteiras e que se afirme como um marco na região», afirmou.
O programa integra iniciativas dirigidas a diferentes públicos, cruzando literatura, educação e turismo, numa lógica que, segundo Dina Simão, procura reforçar a ligação entre estas áreas. «A educação não existe sem a cultura, tal como a cultura dificilmente existe sem a educação», referiu.
De feira do livro a festival literário
A criação do Terroir surge na continuidade de mais de duas décadas de Feira do Livro em Reguengos de Monsaraz, experiência que serviu de base à construção do novo formato. O município aposta agora num evento alargado, com programação diversificada e presença de autores nacionais e internacionais.
Durante a sessão inaugural, foi ainda destacada a participação da comunidade local e o envolvimento de diferentes parceiros institucionais, num modelo que a autarquia pretende consolidar nas próximas edições.
O Festival Literário Terroir decorre até 26 de abril, com iniciativas que incluem apresentações de livros, encontros com escritores, espetáculos e atividades para diferentes faixas etárias.

























































