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“Parte da minha vida literária deve-se a Vila Viçosa”, afirma Domingos Amaral

Domingos Amaral falou em Vila Viçosa sobre escrita, romances históricos e a ligação pessoal à vila alentejana.

O escritor Domingos Amaral afirmou este fim de semana que Vila Viçosa ocupa um lugar especial na sua vida pessoal e literária, revelando que é na vila alentejana que frequentemente se refugia para escrever os seus livros.

As declarações foram feitas durante uma sessão integrada no Comboio Literário, iniciativa promovida pela LeYa e pela CP – Comboios de Portugal, que ligou Lisboa, Évora e Vila Viçosa.

«Vila Viçosa tem uma importância grande na minha vida. Os meus pais têm aqui uma casa muito pertinho e é provavelmente o sítio onde eu me refugio para escrever», afirmou o autor.

Domingos Amaral considerou mesmo que parte do percurso literário que construiu está ligado à vila alentejana.

«Se a minha vida literária corre bem, também uma parte se deve a Vila Viçosa», referiu.

Os desafios da escrita histórica

Durante a sessão, o escritor falou também sobre os desafios associados à escrita de romances históricos, género literário ao qual se tem dedicado em vários livros centrados em diferentes períodos da história portuguesa.

Segundo Domingos Amaral, o trabalho de pesquisa é essencial para garantir coerência histórica nas narrativas.

«Tem que se fazer uma pesquisa muito bem feita para que haja uma fidelidade grande à realidade que existia naquela época», explicou.

O autor recordou que já escreveu romances ambientados em períodos como a época de D. Afonso Henriques, as invasões napoleónicas, o terramoto de 1755 ou a Segunda Guerra Mundial.

O escritor explicou que um romance histórico exige compreender não apenas os grandes acontecimentos, mas também a vida quotidiana das pessoas.

«Nós temos que perceber como é que as pessoas viviam. Como é que as pessoas se vestiam, comiam, falavam umas com as outras e como se amavam», afirmou.

A importância do rigor histórico

Domingos Amaral deu vários exemplos sobre a necessidade de rigor na escrita histórica, recordando situações em que pequenos detalhes poderiam comprometer a credibilidade narrativa.

O autor explicou que, num romance sobre D. Afonso Henriques, foi alertado para o facto de não poder utilizar a palavra “minutos” num contexto medieval, porque essa forma de medir o tempo não existia naquela época.

Noutro exemplo relacionado com o terramoto de Lisboa de 1755, o escritor referiu ter corrigido descrições que mencionavam canos de água em edifícios destruídos, numa época em que ainda não existia água canalizada na cidade.

«Nós primeiro temos que descrever as coisas tais como elas eram naquela época e ser fiéis ao que a história conta», afirmou.

A linguagem como um dos maiores desafios

O autor destacou ainda a linguagem como uma das maiores dificuldades da escrita histórica, defendendo a necessidade de encontrar um equilíbrio entre autenticidade e compreensão por parte do leitor atual.

«Eu quero que as pessoas que estão a ler percebam perfeitamente a frase, mas também quero que aquela frase tenha um sentido qualquer antigo», explicou.

Domingos Amaral referiu que procura criar diálogos acessíveis, mas que mantenham um “perfume de antiguidade”, especialmente em romances passados na Idade Média ou no século XVIII.

A personagem histórica que mais o marcou

Durante a conversa, o escritor destacou também a personagem histórica que mais gostou de recriar nos seus romances: Chamoa Gomes, mulher ligada a D. Afonso Henriques.

Domingos Amaral criticou o facto de a personagem quase não surgir nas biografias oficiais do primeiro rei de Portugal.

«Foi a mulher mais importante da vida de D. Afonso Henriques durante mais de uma década e praticamente não existe na história oficial», afirmou.

O autor admitiu mesmo a possibilidade de dedicar futuramente uma obra inteiramente centrada nessa figura histórica.

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