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O coordenador do Centro de Respostas Integradas (CRI) do Alentejo Central, Paulo Jesus, alertou para a dimensão dos comportamentos aditivos na região, classificando a situação como «assustadora», numa entrevista ao podcast “Factos e Conversas”, do Jornal ODigital.
Ao assinalar 30 anos de atividade do CRI, o responsável traça um retrato marcado por indicadores preocupantes, sobretudo entre os mais jovens, sublinhando que «a dimensão dos comportamentos aditivos na nossa região é assustadora».
Consumo precoce e indicadores acima da média
Segundo Paulo Jesus, o Alentejo apresenta valores superiores à média nacional em vários indicadores, com destaque para o consumo de álcool, cannabis e outros comportamentos de risco em idades precoces.
«A idade de experimentação do jovem alentejano está na casa dos 13, 14 anos», afirmou, acrescentando que a região lidera em áreas como a embriaguez severa e o consumo com baixa perceção de risco.
O responsável destaca ainda o impacto do álcool, muitas vezes desvalorizado, referindo que «é uma droga» e que «70% da experimentação de drogas ilícitas são feitas sob o efeito de álcool».
Fatores sociais e territoriais agravam o problema
Na análise da realidade regional, Paulo Jesus aponta fatores demográficos, sociais e culturais como determinantes. «Não é fácil ser jovem no Alentejo», afirmou, referindo o isolamento, a falta de oportunidades e a escassez de alternativas de socialização.
O coordenador do CRI considera que a solidão e os contextos socioeconómicos contribuem para a adoção de comportamentos de risco, sublinhando que muitos jovens procuram «realidades paralelas» através do consumo de substâncias ou de dependências digitais.
Prevenção e intervenção comunitária como prioridade
Perante este cenário, Paulo Jesus defende uma aposta reforçada na prevenção e na intervenção comunitária, envolvendo escolas, autarquias e outras entidades locais.
«Estamos a coletivizar o problema para coletivizar as respostas», afirmou, destacando a importância de uma abordagem integrada para mitigar os riscos.
O responsável sublinha que o trabalho desenvolvido ao longo das últimas décadas começa a dar sinais positivos, mas alerta que os resultados exigem continuidade: «Estamos a plantar árvores que precisam de tempo para crescer».
Novas dependências e desafios futuros
A entrevista aborda também o aumento das dependências sem substância, como o uso excessivo de ecrãs, jogos online e redes sociais.
«Todo o comportamento aditivo visa a procura do prazer e bem-estar», afirmou Paulo Jesus, alertando para a facilidade de acesso a novas formas de dependência.
Entre os principais desafios, destaca a necessidade de reforçar recursos humanos, adaptar respostas à evolução dos consumos e consolidar instrumentos como o Observatório Regional dos Consumos.
Mensagem final: responsabilidade coletiva
Na mensagem final, o coordenador do CRI deixa um apelo à comunidade, defendendo uma ação conjunta na promoção da saúde e do bem-estar.
«Fazer deste Alentejo um território com mais saúde depende de todos nós», afirmou, sublinhando que a resposta aos comportamentos aditivos exige uma mobilização coletiva.
A entrevista completa com Paulo Jesus pode ser vista no vídeo que acompanha esta notícia, no podcast “Factos e Conversas”.
















