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Vinho, técnica e serviço: Artur Malta Simões explica a arte de ser escanção (c/video)

Artur Malta Simões falou no podcast “Factos e Conversas” sobre vinho, restauração, concursos e o papel do escanção.

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O escanção alentejano Artur Malta Simões foi o mais recente convidado do podcast “Factos e Conversas”, do Jornal ODigital, numa conversa centrada no mundo dos vinhos, da restauração e da profissão de escanção.

Natural de Vila Viçosa, Artur Malta Simões falou do percurso profissional ligado à hotelaria e restauração, da ligação ao Alentejo e da forma como entrou no universo dos vinhos, uma área que, segundo explicou, surgiu «por acidente e por teimosia de alguém».

«Sempre fui apreciador de vinho, mas nunca imaginei vir a trabalhar diretamente com essa área», afirmou.

Atualmente ligado à Herdade da Amada, o profissional explicou que o trabalho de um escanção vai muito além do simples serviço de vinhos à mesa.

«Um bom escanção tem de ser sempre um bom empregado de mesa»

Durante a entrevista, Artur Malta Simões explicou que o escanção é um profissional especializado em bebidas, sobretudo vinho, mas que a função implica conhecimento técnico, serviço de sala, harmonização gastronómica e aconselhamento ao cliente.

«Um bom escanção tem de ser sempre um bom empregado de mesa», afirmou.

O profissional destacou ainda a importância da preparação e do conhecimento detalhado da carta de vinhos e dos pratos servidos.

«Um bom vinho pode ser estragado por um bom prato e vice-versa», referiu, defendendo que a harmonização é um dos fatores que mais influencia a experiência gastronómica.

Segundo explicou, o trabalho começa antes da abertura do restaurante, com preparação da sala, copos, decanters e verificação da disponibilidade dos vinhos.

«O cliente não vem só comer»

Ao longo da conversa, Artur Malta Simões destacou o impacto do serviço de vinhos na experiência dos clientes.

«O cliente quando vem para o nosso restaurante já sabe à priori para o que vem. Mas há uma coisa que nunca nos podemos esquecer: a memória», disse.

O escanção considera que a experiência criada à mesa pode marcar o cliente e fazê-lo regressar ao restaurante.

«Isso fica na memória. Isso vai fazer com que esses clientes falem do restaurante e do escanção», acrescentou.

Sobre os receios dos clientes na escolha do vinho, admitiu que ainda existe algum receio associado ao preço.

«Pensam que nós, escanções, vamos escolher as garrafas de 500 euros e não as de 50», afirmou.

Concursos nacionais e provas cegas

A entrevista abordou também os concursos nacionais de escanção em que Artur Malta Simões tem participado.

O profissional revelou que alcançou recentemente o quarto lugar no Campeonato Nacional de Escanção, ficando a menos de um ponto do acesso à final.

«Foi o concurso mais exigente em que participei, mas também aquele em que mais me diverti», afirmou.

Entre as provas dos concursos estão exames escritos, provas cegas de vinho, whisky, cerveja e sakê, além de exercícios práticos de serviço de mesa e bar.

«Nós não adivinhamos. Nós fazemos suposições com base nas características do vinho», explicou.

«Portugal tem vinhos com tanta ou mais qualidade que França»

Durante a conversa, Artur Malta Simões defendeu a qualidade dos vinhos portugueses e a importância crescente do Alentejo no setor vitivinícola.

«Os nossos vinhos têm tanta ou mais qualidade que os afamados vinhos franceses», afirmou.

O escanção considera que o Alentejo reúne diferentes perfis de vinho e características próprias, defendendo uma maior valorização das várias sub-regiões alentejanas.

A propósito do vinho de talha, admitiu que os produtores mereciam um selo distintivo que certificasse o produto tradicional.

«Não basta colocar no rótulo vinho de talha. Se não tiver um selo certificado, não lhe dá a importância que merece», referiu.

«Não me vejo a fazer outra coisa»

Na reta final da entrevista, Artur Malta Simões falou sobre os desafios da profissão, o tempo dedicado ao estudo e a exigência constante da área.

«Nós estamos constantemente a estudar», afirmou.

Apesar das dificuldades e das longas horas de trabalho, garantiu manter o objetivo de continuar a evoluir na profissão.

«Não me vejo a fazer outra coisa que não trabalhar como escanção», concluiu.

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