O PCP recomenda ao Governo que adote medidas urgentes para a implementação de um plano que articule o estudo, conservação e valorização da maior anta da Península Ibérica, situada no concelho de Évora, revelou hoje o partido.
A recomendação, divulgada pela Direção da Organização Regional de Évora (DOREV) do PCP, é feita através de um projeto de resolução, já entregue no parlamento, subscrito pelos deputados Paulo Raimundo, Paula Santos e Alfredo Maia.
Situada, num terreno privado, a pouco mais de uma dezena de quilómetros da cidade, a Anta Grande do Zambujeiro, cuja construção remonta entre os inícios do 4.º e meados do 3.º milénio antes de Cristo, é um templo funerário de grandes dimensões, estando classificada como Monumento Nacional desde 1971.
No projeto de resolução, o PCP realça que a anta é “um dos mais emblemáticos e monumentais testemunhos do megalitismo europeu” e faz parte de “uma vasta paisagem cultural marcada por uma forte densidade de monumentos megalíticos”.
“Apesar da sua importância científica e patrimonial excecional, a Anta Grande do Zambujeiro tem vindo a degradar-se ao longo das últimas décadas e o seu estado de conservação é hoje profundamente preocupante”, adverte.
Os comunistas descrevem a existência de “problemas estruturais de fundo” no monumento, como a degradação dos materiais pétreos, alteração mineralógica interna das rochas, instabilidade estrutural ou a fratura da laje de cobertura, entre outros.
Face ao diagnóstico, o PCP considera que se torna “evidente a necessidade de uma intervenção urgente, integrada e sustentada de valorização e salvaguarda”, defendendo que o projeto de intervenção “não se esgote na conservação física da estrutura”.
“A intervenção na Anta Grande do Zambujeiro deverá assentar num plano integrado estruturado em quatro eixos fundamentais: estudo arqueológico, revisão do quadro legal de proteção, conservação e restauro e valorização e fruição pública”, adianta.
Entre outras medidas, os comunistas propõem na área do estudo arqueológico que seja assegurada a constituição de equipas científicas estáveis e multidisciplinares e a localização e acondicionamento num único espaço físico do espólio exumado.
O PCP também quer uma revisão do quadro legal de proteção, com vista “à regularização da propriedade do terreno onde se implanta o monumento, assegurando a sua plena tutela pública”, e à definição e implementação de uma zona de proteção efetiva.
No domínio da conservação e restauro, o partido recomenda a mobilização de equipas técnicas e recursos financeiros para o diagnóstico do estado de conservação do monumento e intervenções necessárias e promoção de estudos sobre a musealização.
Também é reclamada a criação de “condições que permitam o acesso qualificado, seguro e informado ao monumento”, incluindo intervenções nos acessos e espaço envolvente, instalação de sinalética, implementação de percursos, entre outras medidas.
O PCP reivindica ainda “meios financeiros públicos adequados e continuados” para o sítio e a sua integração em estratégias de valorização do megalitismo para potenciar a sua inclusão em redes de investigação, roteiros culturais e outras iniciativas.















