O Politécnico de Portalegre (IPP) outorgou esta sexta-feira o primeiro título de Doutoramento Honoris Causa ao Comendador António Cachola, a primeira vez que uma instituição de ensino superior politécnico o faz em Portugal.
Com direito ao tradicional (até agora só nas universidades) cortejo académico e a dezenas de pessoas no público, desde colecionadores a empresários, António Cachola agradeceu este título «a todas as pessoas que me trouxeram até aqui», dando destaque para a esposa, a filha e para a família Nabeiro.
No seu discurso, o Comendador sublinhou que o Doutoramento é lhe outorgado «pelo trabalho realizado em prol da cultura e da arte contemporânea e pelo desenvolvimento da minha atividade profissional, cultural e cívica, com altos serviços prestados à região».
«No meu entender, é o reconhecimento situado na fronteira da arte, da cultura, da economia e das finanças», acrescentou.
Já Luís Loures, presidente do IPP realçou que este é um «momento de grande significado», não apenas para a instituição que preside, mas também «para a história do Ensino Superior Politécnico em Portugal».
«Dificilmente iriamos encontrar uma personalidade mais digna para esta distinção», vincou o presidente, dizendo ainda que o Doutoramento «simboliza muito mais do que um título».
Trata-se assim do «reconhecimento de um percurso de vida dedicado a um dos maiores grupos empresariais do nosso país», mas também do «percurso dedicado à cultura, à arte e à valorização do património contemporâneo português».
O presidente do IPP caracterizou o Comendador como «um verdadeiro visionário» e «um dos mais importantes agentes da arte contemporânea»: «Não se prende só ao homem, mas sim à missão».
«António Cachola ensinou-nos que apoiar a arte é investir no futuro, na identidade e na alma de um povo. A homenagem que lhe prestamos transcende este momento, repleto de profunda gratidão de uma vasta comunidade artística, académica e social», acrescentou Luís Loures.
Por sua vez, Fernando Alexandre, Ministro da Educação, sublinhou que o título marca «um momento importante» no sistema de educação superior português.
De recordar que António Cachola nasceu em Elvas, em 1954, e, em fevereiro de 1981, integrou a empresa DELTA-Cafés, na qual permaneceu como diretor financeiro até 2020 e onde, apesar da responsabilidade na direção financeira da empresa, abordava todas as áreas funcionais com o empresário Rui Nabeiro, de quem foi o adjunto próximo e de confiança.
A par da sua carreira profissional como gestor financeiro, António Cachola sempre revelou uma enorme sensibilidade e gosto pela arte moderna e contemporânea iniciando, em 1990, uma intensa atividade cultural enquanto colecionador de arte contemporânea. A primeira exposição de obras da sua coleção (1999, MEIAC, Badajoz) teve um grande impacto público que foi determinante para validar a ideia de criação de um museu de arte contemporânea em Elvas, para receber e expor as peças da sua coleção. O Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE) abre as suas portas ao público em 2007.
António Cachola tem assumido diversos cargos em instituições da área cultural, nomeadamente, como membro do Conselho de Curadores da Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E., membro da Comissão de Aquisições de Obras de Arte para a Coleção da CGD, membro do Conselho de Patronos da Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, entre outros.
Paralelamente, tem sido agraciado com vários prémios e homenagens, de entre os quais se podem destacar o Prémio “A” ao Colecionismo Privado da Fundação ARCOmadrid, no ano de 2016, e a homenagem e condecoração com a Comenda da Ordem do Mérito Civil, concedida pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, na cerimónia oficial das comemorações do Dia de Portugal de 2013, como reconhecimento do seu trabalho, no país, em prol da cultura, em geral, e das artes visuais, em particular.
De seguida, fique com a foto-reportagem da cerimónia.































































































































