A Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz e a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) assinaram esta quinta-feira, 15 de maio, um protocolo de colaboração para a preservação, valorização e divulgação do espólio documental e científico de António Gião.
A cerimónia decorreu na Casa António Gião, em Reguengos de Monsaraz, imóvel doado à SPA em 1981 por Sophie Spira Gião, viúva do cientista.
O acordo estabelece uma parceria entre as duas entidades para assegurar a conservação do património associado a António Gião, meteorologista, engenheiro geofísico, investigador e professor natural de Reguengos de Monsaraz, que manteve correspondência científica com Albert Einstein e desenvolveu trabalho em várias instituições europeias.
O vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Autores, Tozé Brito, afirmou aos jornalistas que o protocolo resulta de um entendimento alcançado entre a SPA e o município para garantir a preservação futura da casa e do espólio.
“Chegámos ultimamente à conclusão que realmente o melhor seria se conseguíssemos, e felizmente conseguiu-se chegar a um acordo com a Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz e estabelecer um protocolo que tem em mente precisamente a preservação do acervo do espólio do António Gião e da própria casa em si”, afirmou.
Segundo Tozé Brito, o objetivo passa também por abrir o espaço ao público e disponibilizar o espólio para consulta.
“Todo este espaço é de abri-lo ao público, não só aos residentes aqui no concelho, mas a todos os que mostrem interesse académico, científico, etc.”, referiu.
A presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, Marta Prates, considerou que a assinatura do protocolo representa “um momento muito importante para a vida cultural do concelho”.
“É um dia em que nós finalmente conseguimos estabelecer formalmente uma parceria, um protocolo com a Sociedade Portuguesa de Autores”, declarou.
Digitalização e inventário do espólio
No âmbito do protocolo, a autarquia vai avançar com o tratamento, inventário e digitalização do espólio documental existente na Casa António Gião.
Segundo Marta Prates, parte da documentação apresenta sinais de degradação, tornando necessária uma intervenção especializada.
“O espólio que aqui está vai-se degradando se não for tratado. Esta primeira fase do protocolo é isso mesmo: tratar do espólio, verificar toda a documentação, digitalizar toda a documentação”, explicou.
A autarca adiantou ainda que a intenção passa por criar condições para que o espólio possa futuramente ser consultado por investigadores e estudiosos.
“Vai permitir que investigadores possam utilizar o seu trabalho e vai correr o mundo a partir do momento em que estiver digitalizado e estiver disponível”, afirmou.
O município prevê ainda instalar uma exposição permanente dedicada à vida e obra de António Gião e abrir posteriormente a casa ao público.
António Gião nasceu em Reguengos de Monsaraz em 1906 e desenvolveu atividade científica em universidades e instituições da Noruega, Irlanda, Itália, Bélgica e França, tendo publicado diversos trabalhos de investigação em publicações científicas europeias.




























































