O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR-Alentejo), Ricardo Pinheiro, defendeu esta quinta-feira, em Monforte, um reforço do investimento cultural no Alentejo, considerando que a cultura deve assumir um papel estratégico na atracção de visitantes, no desenvolvimento económico e na valorização do território.
As declarações foram feitas durante o colóquio «Os Museus Portugueses nos últimos 50 anos. Que Futuro?», realizado no espaço Monforte Sacro.
Nas palavras proferidas, Ricardo Pinheiro considerou que o investimento cultural deve ter maior peso na programação dos fundos comunitários, defendendo que o património e a dinamização cultural podem funcionar como factores de desenvolvimento regional.
«A dimensão cultural é uma dimensão que visa sempre a atração de pessoas ao território», afirmou o responsável da CCDR-Alentejo.
Segundo Ricardo Pinheiro, o Alentejo continua abaixo do potencial desejado em matéria de visitantes culturais, apesar do investimento realizado pelas autarquias.
«De todos os museus à escala nacional, a verdade é que o Alentejo só consegue ter 5% destes visitantes à escala nacional», referiu.
Autarquias do Alentejo investem acima da média nacional
O presidente da CCDR destacou que os municípios alentejanos têm vindo a realizar um investimento significativo na área cultural, acima da média nacional.
«A média do país das autarquias é 77 euros por habitante. A verdade é que os autarcas do Alentejo e a dinamização das comunidades intermunicipais investiu cerca de 145 euros por habitante», afirmou.
Ricardo Pinheiro considerou que este esforço está ligado à necessidade de combater o despovoamento e aumentar a competitividade da região.
«Numa tentativa clara de parar aquilo que é o êxodo demográfico da região», acrescentou.
CCDR quer reforçar peso da cultura nos fundos europeus
Ao longo da intervenção, o responsável defendeu que a próxima programação comunitária deve atribuir maior relevância aos projectos culturais e patrimoniais.
«Há uma dimensão de investimento cultural que aqueles que em determinada altura temos a responsabilidade de programar verbas comunitárias não devemos ter vergonha», afirmou.
Ricardo Pinheiro defendeu igualmente que a cultura deve ser encarada como um investimento estruturante e não apenas complementar.
«O sector cultural é um sector que vale a pena, do ponto de vista do investimento comunitário, poder-se repensar a forma como eventualmente temos que melhorar esta atitude», acrescentou.
O presidente da CCDR-Alentejo apelou ainda à produção de dados e indicadores que permitam justificar junto das instituições europeias um reforço do financiamento cultural.
«Demonstrarmos à Comissão Europeia que cada euro que se investe em dinamização cultural são euros absolutamente valorizados», afirmou.
Turismo e cultura devem crescer em conjunto
Ricardo Pinheiro associou ainda o crescimento turístico do Alentejo à necessidade de reforçar a oferta cultural da região.
«Se houver turismos rurais, mas não houver investimento na dinamização cultural, os turismos rurais não vão ter visitantes», alertou.
O responsável revelou que, nas últimas semanas, foram aprovados entre 17 e 18 milhões de euros em investimentos ligados ao turismo rural no Alentejo.
Nas palavras proferidas, Ricardo Pinheiro defendeu também a modernização da oferta cultural e museológica, incluindo a utilização de novas tecnologias e inteligência artificial para aproximar públicos e valorizar o património.
O colóquio realizado em Monforte reuniu responsáveis institucionais, especialistas e agentes culturais para debater os desafios futuros da museologia e o papel da cultura no desenvolvimento dos territórios do interior.
















