O diretor do Centro Distrital de Évora do Instituto da Segurança Social, Nuno Alas, afirmou que 2025 ficou marcado por uma resposta célere às prestações sociais, pela redução do número de apoios ligados à carência e por uma crescente pressão nas respostas dirigidas à população idosa.
As declarações foram feitas no podcast “Factos e Conversas”, do Jornal ODigital.pt, cuja entrevista é divulgada esta quarta-feira.
Desemprego em mínimos históricos reduz prestações
De acordo com o responsável, o distrito fechou 2025 com uma taxa de desemprego de 6%, “o valor mais baixo das últimas décadas”, o que teve impacto direto na diminuição das prestações sociais associadas à carência.
Nuno Alas explicou que, com mais pessoas no mercado de trabalho, é expectável que o número de apoios como o Rendimento Social de Inserção (RSI) registe uma redução. “Não se verificou um aumento das prestações sociais. Há uma diminuição, não drástica, mas consistente”, afirmou.
O diretor destacou ainda que o saldo nacional da Segurança Social encerrou 2025 com mais de seis mil milhões de euros positivos, sublinhando que as contribuições, incluindo as da população migrante, superam atualmente a despesa com prestações.
Pressão nas respostas para idosos
Um dos principais desafios identificados prende-se com o envelhecimento da população. Portugal é, segundo referiu, o segundo país mais envelhecido da Europa, e o distrito de Évora apresenta concelhos com índices elevados de envelhecimento.
No distrito, existem 2713 camas em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), das quais 2340 têm acordo com a Segurança Social. Nuno Alas admitiu que a capacidade está “muito pressionada”, com pouca margem para novas admissões.
Acresce que o atual quadro comunitário não prevê financiamento para a construção de novos lares, privilegiando o reforço dos serviços de apoio domiciliário. Para o responsável, esta orientação pode criar constrangimentos, uma vez que há situações em que o apoio em casa não é suficiente para responder às necessidades das famílias.
Estatuto do Cuidador Informal como prioridade
Entre as prioridades para 2026 está o reforço do Estatuto do Cuidador Informal. No distrito existem cerca de 480 cuidadores reconhecidos, número que a Segurança Social pretende aumentar.
Nuno Alas alertou para os níveis de sobrecarga física e emocional identificados em muitos cuidadores e defendeu a criação de grupos de entreajuda nos concelhos. Sublinhou ainda que o subsídio do cuidador informal deixará de contar como rendimento para efeitos de acesso ao Complemento Solidário para Idosos, alteração que permitirá alargar o apoio a mais famílias.
“Precisamos de cuidar das pessoas que cuidam”, afirmou.
Creches gratuitas e novas respostas no território
Na área da infância, o diretor destacou o impacto da gratuitidade das creches. Em 2025, a comparticipação da Segurança Social no distrito rondou os 14 milhões de euros.
Está prevista a abertura de uma nova creche em Montemor-o-Novo e a entrada em funcionamento da primeira creche no concelho de Mourão, o único do distrito que ainda não dispunha dessa resposta.
Persistem, contudo, necessidades em territórios como Estremoz, onde a procura continua superior à oferta existente.
Digitalização e proximidade como metas para 2026
Para o próximo ano, a Segurança Social de Évora aposta na digitalização dos serviços, mantendo simultaneamente o atendimento presencial nos 14 concelhos do distrito.
O objetivo passa por tornar os serviços mais acessíveis e céleres, permitindo que técnicos de concelhos com menor procura reforcem o tratamento de processos de outras zonas.
No final da entrevista, Nuno Alas deixou um apelo para que as situações de dificuldade sejam sinalizadas e acompanhadas. “Existe uma panóplia muito grande de respostas. O mais importante é que ninguém fique em silêncio perante situações de necessidade”, concluiu.















