O novo representante da Florestgal indicou a Serra de São Mamede como um dos exemplos de sucesso na agregação de propriedades florestais, num contexto em que a fragmentação continua a ser o principal desafio da gestão em Portugal, segundo declarações hoje prestadas no Parlamento e citadas pela Lusa.
Ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito aos Negócios dos Incêndios Rurais, António Silva Vivas referiu o caso da Serra de São Mamede, em Portalegre, onde a empresa pública tem conseguido reunir proprietários e aumentar a escala de gestão florestal.
Serra de São Mamede como caso de referência
De acordo com o responsável, a experiência naquele território do Alentejo contrasta com as dificuldades sentidas noutras regiões do país. Na Serra de São Mamede, a Florestgal tem conseguido, com “sucesso”, agregar proprietários e estruturar áreas de gestão, criando condições para uma intervenção mais eficaz.
A empresa pública procura responder à fragmentação da propriedade florestal, um problema que, segundo Silva Vivas, continua a marcar o território nacional, caracterizado por um elevado número de pequenos proprietários.
Fragmentação continua a ser entrave
O representante da Florestgal sublinhou que “não tem sido fácil” convencer os proprietários a aderirem a modelos de gestão conjunta. Como exemplo, apontou o concelho de Pedrógão Grande, afetado pelos incêndios de 2017, onde a taxa de execução da empresa se situa entre 16% e 17%.
A dispersão da propriedade e o abandono da gestão florestal contribuem para o aumento do risco de incêndio, embora não possam ser considerados a sua origem, afirmou.
“As causas dos incêndios são muito variadas”, referiu, defendendo que a floresta deve ser tratada como um “desígnio nacional”.
Gestão ativa associada à resistência ao fogo
Também ouvido na comissão, o presidente da Navigator, António Redondo, considerou que a gestão ativa da floresta está associada a maior resistência ao fogo, enquanto a fragmentação e o abandono do território aumentam a vulnerabilidade.
Empresa criada após incêndios de 2017
A Florestgal foi criada na sequência dos incêndios de 2017, herdando ativos da antiga Lazer e Floresta. A empresa detém cerca de 15,6 mil hectares distribuídos por 86 propriedades em 26 concelhos do continente, a que acrescem cerca de 6,9 mil hectares em áreas integradas de gestão da paisagem.
Silva Vivas, que assumiu funções há cerca de duas semanas, destacou o potencial da empresa, numa altura em que a execução de políticas públicas para a floresta continua em debate no Parlamento.















