A presidente da Junta de Freguesia de Viana do Alentejo, Tânia Milhano, destacou esta sexta-feira a importância da olaria na identidade cultural da vila, durante a inauguração da quinta edição do FICO – Festival de Ilustração e Criatividade em Olaria.
Nas palavras proferidas, a autarca associou a tradição oleira às memórias familiares e ao quotidiano de várias gerações de vianenses, defendendo a necessidade de preservar e valorizar este património local.
«Para mim, falar de olaria é falar de memórias de infância, de família e das nossas raízes», afirmou.
Tânia Milhano recordou a ligação pessoal ao barro através da mãe, que trabalhou na Olaria Lagarto, referindo que cresceu rodeada pelas conversas sobre o trabalho dos oleiros e pelas peças de barro presentes nas casas da vila.
«O barro estava nas cozinhas, nas mesas, nos alguidares, nos pratos, nas bilhas e em tantos objetos que hoje nos trazem memórias de um tempo simples, mas profundamente ligado à nossa identidade alentejana», disse.
“Viana do Alentejo sempre teve uma forte ligação à olaria”
A presidente da Junta destacou também o papel histórico da Escola de Olaria de Viana do Alentejo na formação de artesãos e na continuidade desta tradição.
«Viana do Alentejo sempre teve uma forte ligação à olaria», afirmou, lembrando que da antiga escola «saíram diversos oleiros que ajudaram a manter viva esta arte e este saber tão nosso».
A autarca sublinhou ainda a importância da família Agostinho na preservação da olaria tradicional da vila, destacando o trabalho desenvolvido ao longo dos anos por Feliciano Agostinho e pela família.
«Nunca desistiram deste ofício. Com muito esforço, persistência e amor à arte da olaria, insistiram sempre na continuidade deste trabalho», afirmou.
Tânia Milhano salientou também o contributo de Feliciano Mira Agostinho para a renovação da atividade, quer através do FICO, quer das residências artísticas e iniciativas ligadas à criatividade contemporânea.
«Soube reinventar-se e reinventar a própria olaria», referiu.
“O futuro constrói-se através da capacidade de inovar”
Na visão da presidente da Junta, o FICO representa a ligação entre tradição e inovação, permitindo aproximar novos públicos da olaria e projetar o nome de Viana do Alentejo fora do concelho.
«Este FICO é hoje um exemplo claro da ligação entre o passado, o presente e o futuro», afirmou.
Segundo a autarca, «o passado está nas tradições que herdámos dos nossos oleiros», enquanto «o futuro constrói-se através da capacidade de inovar, de envolver os mais jovens e de continuar a projetar o nome de Viana do Alentejo».
Junta quer reforçar apoio aos artesãos
Tânia Milhano anunciou ainda que o regulamento de apoio aos artesãos está atualmente em análise para ser alterado, com o objetivo de aumentar os apoios atribuídos aos oleiros e artesãos locais.
«Queremos incentivar ainda mais os nossos oleiros e artesãos a participarem em feiras, mostras e eventos fora do concelho», explicou.
A presidente da Junta defendeu que a valorização da olaria é essencial para preservar a identidade cultural da freguesia e garantir continuidade a uma tradição histórica da vila.
«Que saibamos continuar a moldar o futuro da nossa olaria com a mesma dedicação com que há tantas gerações se molda o barro em Viana do Alentejo», concluiu.
















