O projeto de instalação de uma unidade de produção de biometano na Herdade do Marmelo, no concelho de Ferreira do Alentejo, distrito de Beja, voltou a ganhar atualidade após a confirmação de financiamento no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
O tema tinha sido avançado há cerca de um mês pelo Jornal ODigital.pt, que revelou que a versão revista do projeto de produção de biometano liquefeito a partir de biogás se encontrava em consulta pública no âmbito do processo de Licenciamento Ambiental – Prevenção e Controlo Integrados da Poluição (PCIP).
O projeto é promovido pela Capwatt Biometano Ferreira do Alentejo, Lda., sociedade resultante de uma parceria entre a Capwatt e a Nutrifarms, proprietária da Sociedade Agrícola Vale de Ouro (SAVO), onde se localizará a unidade industrial.
Projeto prevê valorização de resíduos agrícolas e pecuários
Segundo a documentação anteriormente consultada pelo ODigital.pt, a unidade prevê a valorização de efluentes pecuários, bagaço de azeitona e águas residuais provenientes da lavagem de lagares, através de um processo de digestão anaeróbia.
O biogás produzido será posteriormente purificado para obtenção de biometano e dióxido de carbono (CO₂) liquefeito.
De acordo com os dados apresentados no processo, a capacidade máxima instalada permitirá valorizar até 108.848 toneladas por ano de resíduos e produzir 4.637 toneladas anuais de biometano e 7.683 toneladas de CO₂, correspondendo a cerca de 67 GWh por ano de energia renovável.
A unidade deverá funcionar em regime contínuo, 24 horas por dia, durante todo o ano.
Consulta pública decorre até 20 de março
A consulta pública do projeto, no âmbito da avaliação de impacte ambiental, iniciou-se a 2 de fevereiro e decorre até 20 de março.
O investimento previsto é de cerca de 25 milhões de euros e a unidade ficará localizada na freguesia de Figueira dos Cavaleiros, no concelho de Ferreira do Alentejo.
Segundo os promotores, a instalação ficará situada a mais de 2,7 quilómetros da localidade de Figueira dos Cavaleiros, em área agrícola.
Projeto tem financiamento aprovado no PRR
De acordo com informação divulgada pelo consórcio promotor e citada pela agência Lusa, o projeto já dispõe de financiamento aprovado no âmbito do PRR.
Segundo os promotores, o projeto possui também conformidade ambiental emitida pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo.
O consórcio indica que a unidade terá uma produção anual estimada de cerca de 67,2 gigawatts-hora (GWh) de biometano.
Segundo os promotores, este volume «é suficiente para satisfazer as necessidades de gás das cidades de Évora e Beja e corresponde a cerca de quatro vezes o consumo de gás de toda a região do Baixo Alentejo».
Produção de fertilizantes orgânicos e criação de emprego
O projeto prevê também a produção de fertilizantes orgânicos a partir do digerido resultante do processo de digestão anaeróbia.
Segundo o consórcio, esta solução permitirá valorizar resíduos agrícolas e pecuários e reduzir a dependência de fertilizantes químicos.
Os promotores indicam ainda que o funcionamento da unidade deverá criar postos de trabalho diretos e indiretos, nomeadamente nas áreas de operações, manutenção, segurança e transporte.
O estudo acústico realizado no âmbito do processo indica que o funcionamento da unidade não deverá provocar acréscimo dos níveis sonoros na zona envolvente.















