Celebrámos no passado fim de semana os 52 anos de um dos dias mais bonitos da História de Portugal. A Revolução de Abril ou Revolução dos Cravos, como ficou conhecida marcou uma mudança estrutural na vida dos Portugueses.
Naquele dia, graças à coragem dos nossos militares, libertámo-nos de um regime ditatorial, ainda que já muito enfraquecido e desgastado. Nas oportunidades que tive de falar com alguns do Capitães de Abril, lembro o sentimento que, de coração acelerado e olhos humedecidos, ainda têm em relação àquele dia.
Como se estivesse a acontecer a cada ano. “Foi por vocês Luís, pela vossa geração, foi pelos meus filhos e agora é pelos meus netos”, dizia-me um. “Que se acabe esta obsessão de repudiar os cravos vermelhos como se fossem comunistas” dizia outro.
E é verdade: se Abril não tem donos, porque é de todos, também não pode cair no esquecimento, como querem alguns.
Naquele dia, é importante lembrar com alma quase poética, foi todo um povo amordaçado que finalmente gritou Liberdade. Foi todo um povo agrilhoado que finalmente saiu à rua com o coração aberto! E foram os nossos soldados que trocaram balas por cravos vermelhos. Foi o fim de uma noite longa, e o nascer de um dia onde a palavra “Liberdade” voltou a ter voz. Foi um abraço coletivo, uma porta aberta para falar, pensar e viver sem correntes.
Na celebração deste ano, na Assembleia da República, alguns continuam a não conseguir usar um Cravo vermelho na lapela. Outros inventam cravos de outras cores. E podem fazê-lo única e simplesmente porque são livres. Agradeçam a Abril e a todos os que lutaram para que o pudessem fazer.
Mas sejamos claros…. Quem repudia usar um cravo vermelho, símbolo internacional da nossa revolução, é Abril que repudia!
Como é bom podermos discordar. Como é bom termos e podermos continuar a ter opinião própria. Como é bom podermos ser plurais. Como é bom podermos dizer livremente do que gostamos e do que não gostamos, o que queremos e o que não queremos.
Se hoje alguns podem ser contra o 25 de Abril foi porque Abril aconteceu e lhes deu esse direito, que antes ninguém tinha em Portugal.
Da minha parte, não quero voltar atrás! Agradeço aos meus “pais” a herança que me deram com o sofrimento que passaram para que eu pudesse nascer livre. Não quero um país analfabeto. Não quero um país onde as mulheres não têm direitos. Não quero um país onde o “orgulhosamente sós” nos afastava da Europa e do Mundo. Não quero um país em guerra consigo próprio. Não quero um país com fome e assente na verdadeira corrupção. Não quero um país em que poucos decidiam por alguns. Não quero um País sem autarquias onde até os Presidentes eram nomeados. Não quero um país onde para uma mulher tirar a carta de condução ou sair do país dependia de aprovação do marido. Não quero um país pobre na economia, na literacia, mas também nos espíritos.
Da minha parte uso com orgulho e honra o Cravo Vermelho porque representa a maior herança que um ser humano pode ter: a Liberdade!
Da minha parte respeito todos, mesmo os que atacam Abril, porque Abril nos deu essa possibilidade de discordar em Democracia.
Sabemos que em 52 anos nem tudo correu bem, mas reconheçamos que sem Abril, representado nessa linda flor vermelha, e sem a Europa que nos abriu de seguida os braços, estaríamos ao nível dos países mais subdesenvolvidos do mundo.
Com isto dito: VIVA O 25 DE ABRIL. O de 1974, o de 2026 e todos os que pudermos viver e construir!
Luís Dias
Deputado do PS, eleito por Évora
















