O cancro continua a ser um dos maiores desafios da medicina moderna, sendo responsável por milhões de mortes em todo o mundo. Apesar dos progressos alcançados nas últimas décadas, muitos tratamentos continuam associados a efeitos secundários significativos e nem sempre conseguem impedir a progressão ou o reaparecimento da doença. Neste contexto, a investigação científica procura desenvolver terapias mais eficazes, seletivas e menos invasivas.
Uma das abordagens atualmente em estudo no Centro de Química Estrutural do Instituto Superior Técnico, em colaboração com o Laboratório Associado para a Química Verde da Universidade de Aveiro (LAQV-REQUIMTE) e com o grupo de materiais moleculares da Universidade Complutense de Madrid, envolve o desenvolvimento de nanomateriais de carbono para aplicação em Terapia Fotodinâmica.
Esta técnica utiliza moléculas fotoativas, como as porfirinas, compostos semelhantes à clorofila das plantas e ao grupo heme do sangue. Quando ativadas por luz, estas moléculas produzem espécies reativas de oxigénio capazes de destruir células tumorais de forma localizada, reduzindo os danos nos tecidos saudáveis.
Apesar do seu potencial, as porfirinas apresentam algumas limitações em meio biológico, uma vez que tendem a agregar-se, diminuindo a sua estabilidade e eficácia terapêutica. Para ultrapassar este problema, têm-se apostado na sua conjugação com nanomateriais de carbono.
Os pontos quânticos de carbono são nanopartículas fluorescentes de dimensões extremamente reduzidas, obtidas a partir de materiais abundantes e sustentáveis, como grafite, celulose, algas ou pequenas moléculas orgânicas. Estes nanomateriais destacam-se pela sua baixa toxicidade, elevada estabilidade e facilidade de funcionalização química.
A combinação entre porfirinas e pontos quânticos de carbono tem permitido desenvolver sistemas híbridos mais estáveis e eficientes, capazes de penetrar mais facilmente nas células tumorais. Simultaneamente, as propriedades fluorescentes destes materiais permitem acompanhar a sua localização no interior celular, contribuindo tanto para aplicações terapêuticas como para bioimagem.
Os resultados obtidos demonstram a importância da colaboração entre áreas como a química, nanotecnologia, ciência dos materiais e biomedicina no desenvolvimento de novas soluções para desafios atuais na saúde, reforçando o papel da investigação científica na procura de terapias mais eficazes e sustentáveis.
















