O Baixo Alentejo vai ter uma plataforma que pretender dar resposta às problemáticas da imigração na região.
Uma ferramenta digital designada de “Plataforma de Integração e Inclusão Social e Laboral de migrantes” e que foi desenvolvida pelo Laboratório Colaborativo Data CoLAB e coordenada pela Incubadora de Inovação Social do Baixo Alentejo (IISBA).
Em declarações a’ODigital.pt, João Cascalheira, coordenador da IISBA, referiu que ainda está «numa fase inicial», mas que o projeto tem como principal objetivo «combater a sazonalidade».
«Através de uma interface que permita que diferentes empregadores possam colocar ofertas de emprego para que tenhamos uma noção mais clara de que temos no território», acrescentou.
Assumindo que «as pessoas têm trabalho dois ou três meses e depois ficam desempregadas e sem condições de poderem subsistir», João Cascalheira destacou ainda que «neste momento, não há muita informação relativamente a eles».
Assim, a plataforma também pretende «perceber alguns dados relativamente a quem são estes imigrantes, em condições vivem e de onde vêm».
O coordenador realçou ainda que há um terceiro objetivo, uma vez que «temos a possibilidade de oferecer formação, e até alguma especialização, em áreas mais necessárias no nosso território».
Isto, segundo João Cascalheira, deverá também impactar a questão do «tráfico de seres humanos», já que «é um os principais problemas da nossa imigração».
«É uma problemática que está identificada e percebemos as consequências gravosas que tem para as pessoas em primeiro lugar e depois para a comunidade», acrescentou.
Para isso, a plataforma terá de «trabalhar de uma forma muito pragmática e clara», sendo que é também «necessário que haja depois, ao nível do Estado, o acompanhamento necessário para que esta situação seja ultrapassada».
«É inaceitável que em pleno séc. XXI estejamos com esta situação na região do Baixo Alentejo. São situações criminais e não podemos tratá-las como se não existissem», adicionou.
O objetivo é que a plataforma esteja disponível online, que tenha acesso para os migrantes e para empregadores, mas que também que seja carregada com dados pelos serviços municipais já existentes.
Desta forma, o IISBA vai «trazer para a conversa» os empresários, a sociedade civil e as autarquias para que, «em conjunto, se consiga mitigar esta situação que realmente traz alguma preocupação».
João Cascalheira referiu que a autarquia de Beja, mas que «temos tentado trazer para este consórcio os municípios de Ferreira do Alentejo e de Odemira».
Para além das autarquias, também fazem parte a Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral (NERBE), a Associação de Agricultores do Sul (ACOS), a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL) e alguns «parceiros sociais que permitam uma visão mais global sobre a problemática e sobre soluções para conseguirmos resolver».
«O objetivo é termos uma diversificação do mercado e das ofertas de trabalho, nomeadamente em períodos diferentes», concluiu.















