A bactéria Xylella fastidiosa, conhecida como o “Ébola do mundo vegetal”, já está instalada no Alentejo. A presença do agente patogénico foi confirmada em Grândola e reforçada em Marvão, onde as autoridades fitossanitárias identificaram dezenas de plantas infetadas, incluindo oliveiras, videiras e sobreiros.
A informação foi avançada pelo jornal Público e representa a chegada da bactéria ao Sul do país, um cenário acompanhado com preocupação pelo sector agrícola desde 2019, devido ao risco para culturas como o olival intensivo, amendoal, vinha e montado.
Em fevereiro de 2026, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) confirmou a presença da bactéria em Grândola. As plantas identificadas como infetadas pertencem aos géneros e espécies Acacia sp., Halimium halimifolium, Lavandula angustifolia, Lavandula dentata e Santolina impressa. A subespécie detetada naquela zona demarcada é a Xylella fastidiosa subsp. multiplex.
DGAV identifica 56 zonas infetadas em Marvão
Segundo o Edital 10/2026/XF/AL da DGAV, relativo à atualização da zona demarcada de Marvão, foram confirmadas 43 novas amostras positivas.
O documento refere que existem atualmente “56 zonas infetadas na zona demarcada para Xylella fastidiosa de Marvão”.
Entre as espécies afetadas encontram-se oliveiras (Olea europaea), videiras (Vitis spp.), sobreiros (Quercus suber), carvalho-negral, esteva, urze e rosmaninho.
Bactéria já infetou quase 600 espécies na Europa
Transmitida por insetos que se alimentam da seiva das plantas, a Xylella fastidiosa é considerada uma das bactérias mais destrutivas para a agricultura mundial. Na Europa, já infetou perto de 600 espécies vegetais, afetando culturas agrícolas, plantas ornamentais e espécies florestais.
Em países como Itália, Espanha e França, a propagação da bactéria provocou perdas significativas em olivais e noutras culturas permanentes.
No Alentejo, o receio do sector agrícola centra-se agora na possível disseminação da bactéria aos grandes olivais, vinhas, amendoais e ao montado de sobro e azinho, um dos principais ecossistemas da região.
As autoridades mantêm medidas de monitorização e contenção nas zonas demarcadas, incluindo vigilância sobre os insetos vetores responsáveis pela propagação da bactéria e controlo das plantas hospedeiras.















