A edição que assinala os 30 anos da Mostra Gastronómica da Caça, em Mora, voltou a reunir centenas de pessoas num jantar de abertura. Entre os convidados esteve José Manuel Santos, Presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, que destacou a importância da caça como ativo territorial capaz de gerar mais do que gastronomia: novas experiências, identidade e diferenciação turística.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, José Manuel Santos sublinhou que a mostra mantém ligação direta a uma tradição antiga do território. «A gastronomia de caça é uma marca do Alentejo e particularmente desta zona», afirmou.
Gastronomia de caça como identidade e economia
O responsável recordou que a relevância gastronómica da caça permanece ativa, mesmo reconhecendo que a sua expressão já foi mais significativa. «É verdade que, muito provavelmente, este tipo de gastronomia já teve uma maior expressão, mas eu continuo a acreditar que ela tem um lugar nas preferências dos visitantes nacionais», referiu.
A Mostra de Mora, com três décadas de continuidade, assume-se por isso como exemplo de preservação desta identidade, mas também de capacidade económica. «É o manter de uma tradição, mas também de uma dimensão económica importante que tem 30 anos», destacou.
A caça para lá dos pratos
Para José Manuel Santos, o potencial turístico associado à caça não se esgota na mesa. Pelo contrário, abre caminho a novos produtos e experiências. «A gastronomia é apenas uma delas. Através da caça podemos falar sobre livros, sobre a paisagem, sobre a natureza, sobre a biodiversidade, sobre atividades ligadas à caça», explicou.
O presidente da Entidade Regional de Turismo defende que, enquanto recurso territorial, a caça pode servir de base para outras ofertas turísticas, integradas e estruturadas. «Os recursos cinegéticos são um filão para podermos construir atividades e experiências que podem ser apresentadas e promovidas para termos mais turistas», acrescentou.
Oportunidade para reforçar o turismo em época baixa
A realização da Mostra Gastronómica da Caça em novembro e dezembro não é casual. Para José Manuel Santos, a sazonalidade turística do Alentejo encontra aqui uma oportunidade de equilíbrio. «A caça pode trazer mais turistas e criar mais fatores de interesse para o turismo do Alentejo e particularmente nesta região onde nos encontramos», afirmou.
Eventos com esta natureza, explica, ajudam a distribuir visitantes ao longo do ano e a gerar atividade económica num período de menor procura.
Rumo a um grande festival de caça do Alentejo
Entre as ideias que o presidente da entidade turística colocou em cima da mesa está a possibilidade de recuperar um formato mais amplo de evento regional. «Podemos voltar a ter um festival gastronómico da caça, como já tivemos, unindo Mora, Montemor e Vila Viçosa», sugeriu.
A proposta envolve escala, articulação entre municípios e valorização do papel dos restaurantes. «Temos um festival que dá escala aos três concelhos. Termos restaurantes a trabalhar este produto e outras iniciativas à volta da gastronomia da caça», indicou.
A Entidade Regional de Turismo mostra-se disponível para colaborar. «Estamos disponíveis para voltar a equacionar, com outros municípios, um evento mais agregador, com mais escala, que nos permita promover melhor este produto», afirmou.
Valorizar os cozinheiros e as receitas do território
Outro dos pontos sublinhados é a necessidade de continuar a dar protagonismo às pessoas e às receitas que mantêm vivo este património gastronómico. «Os restaurantes são essenciais. É preciso voltarmos a centrar-nos nos recursos cinegéticos, nos chefes, nos nossos cozinheiros, nos pratos», observou.
E deixou um apelo à preservação das receitas tradicionais. «Temos aqui pratos de caça que são verdadeiras pérolas da gastronomia do Alentejo e é preciso voltar a lutar por eles e dar-lhes a projeção que merecem», reforçou.
A Mostra como evento com história e futuro
Com um percurso iniciado na antiga Região de Turismo de Évora, José Manuel Santos recordou ainda que acompanhou a evolução da mostra desde a sua génese. «Este evento tem uma génese do turismo na altura da antiga Região de Turismo de Évora e eu participei nessa construção», disse.
Três décadas depois, continua a marcar presença. «É com muita satisfação que todos os anos, sempre que posso, aqui estou», concluiu.















