A Mostra Gastronómica da Caça, que cumpre trinta anos de realização em Mora, voltou a afirmar-se não apenas como encontro gastronómico, mas como demonstração de identidade regional. Para Tiago Teotónio Pereira, vogal executivo da Comissão Diretiva do Programa Regional Alentejo 2030, este é o principal valor do evento: a capacidade de transformar tradição em competitividade para o território.
Em delcarações ao Jornal ODigital.pt, o responsável sublinhou que o impacto da Mostra ultrapassa a dimensão culinária. «Esta mostra tem muito mais a ver com aquilo que é a identidade que potencia a competitividade do nosso território do que simplesmente um encontro gastronómico», afirmou.
A afirmação da identidade como prioridade para o Alentejo 2030
Numa fase em que a região está a redefinir estratégias e prioridades, a Mostra surge como expressão de um produto endógeno capaz de gerar riqueza e fixar população. «Numa altura onde estamos a repensar as prioridades do Alentejo 2030, a afirmação da identidade através da caça e dos produtos que lhe estão associados é muito importante para nós», explicou.
Tiago Teotónio Pereira destacou ainda o papel das atividades tradicionais na estrutura económica da região. «Olhamos para este tipo de produtos como um produto endógeno que consegue transformar valor, riqueza, fixar pessoas, atrair e criar emprego», afirmou.
A fileira da caça como setor estratégico
A Mostra de Mora dá visibilidade à fileira da caça, vista pelo responsável como um setor relevante para vários concelhos da região. «A atividade cinegética representa muito do valor acrescentado que temos no nosso território», referiu.
A dimensão económica, cultural e identitária da caça obriga, segundo o vogal executivo, a uma gestão cuidadosa das prioridades regionais. «Temos que escolher bem que tipo de eventos promovem aquilo que são as fileiras, e claramente que a fileira da caça tem neste evento um evento marcante», destacou.
Apoios e instrumentos para reforçar o setor
O responsável das políticas regionais defendeu também a necessidade de apoiar entidades locais e associações ligadas ao setor. «Temos que encontrar instrumentos de apoio que ajudem as autarquias locais e as associações a potenciar este tipo de atividades no território», disse.
A este apoio juntam-se medidas recentes, como a redução ou abolição do IVA na atividade cinegética. Para Tiago Teotónio Pereira, estas mudanças podem ter impacto. «A redução do IVA acaba por funcionar bem nesta vertente», afirmou.
Contudo, defende que a estratégia deve combinar várias ferramentas. «Existem duas formas de atrair investimento: alocando fundos e reduzindo custos de contexto. Se conseguirmos combinar as duas, conseguimos ter uma região mais competitiva», sublinhou.
Mora como território de referência
A Mostra, que decorre num concelho com forte ligação à atividade cinegética, surge como exemplo de como um evento gastronómico pode afirmar um território. «Concelhos como Mora acabam por ser uma referência nestas áreas», afirmou o responsável.
A edição deste ano volta, assim, a reforçar a centralidade da caça enquanto expressão da identidade do Alentejo e enquanto oportunidade para dinamizar economia, emprego e produtos endógenos.















