A Adega da Cartuxa apresentou esta quarta-feira a mais recente edição do vinho Pêra-Manca tinto, com a colheira de 2018.
Com um grau alcoólico de 15,5% e com um custo de 350 euros, o tinto terá uma edição com 21 garrafas produzidas, abaixo das 44 mil da colheita de 2015: «É uma edição bem especial».
Para João Teixeira, diretor da adega, em declarações aos jornalistas, este foi um «dia muito importante», pois foi apresentado um vinho «icónico» com a particularidade de ter sido uma colheita «de quantidade reduzida».
«A última apresentação de um Pêra-Manca tinto tinha sido em 2021 e este hiato de quase três anos foi muito importante para que os consumidores criassem uma apetência ainda maior sobre o vinho», acrescentou.
Em relação à venda do tinto, o diretor atirou que o Pêra-Manca «é sempre muito dinâmico, quando começam a surgir rumores de que irá estar disponível» e que o seu lançamento estaria a ser pensado no «em abril».
Isto para «preparar os consumidores, porque já há algum tempo que estávamos a trabalhar com o nosso distribuidor e com os nossos importadores, sobre a apresentação e a colocação das garrafas no mercado».
Tendo a certeza de que «já há gente à espera das garrafas», João Teixeira sublinhou que «já há mais de um mês que temos essas pré-reservas» e que já foi feita a expedição de 224 unidades que «vão ser entregues em breve».
«Eu acredito que já existam muitos contactos de clientes para com o nosso distribuidor para terem acesso no primeiro momento», complementou.
Com um «acesso limitado» de uma garrafa por comprador e com um clube dedicado a este vinho, onde apenas há espaço para dois mil associados, esta limitação é intencional, segundo o diretor.
Isto porque «há a preocupação em tornar, dentro do possível, o acesso a este vinho, democrático», pois «não é pela condição financeira mais forte que pode açambarcar todas as quantidades que nós temos aqui disponíveis à venda no enoturismo».
Contudo, também há a preocupação de «essas mesmas pessoas, se pudessem comprar algumas quantidades, fossem elas depois a determinar a tendência do mercado e os preços do mercado».
«Gostamos de limitar as garrafas a quem nos visita e a Fundação Eugénio de Almeida. Depois de fazer a prova de vinhos, que temos associada a essa visita, se assim o entender, levar para casa uma garrafa», frisou ainda.
Haverá também a preocupação da falsificação, contudo «bem contornada já desde a colheira de 2011» devido a um projeto desenvolvido pela Instituto Nacional da Casa da Moeda.
«Coloca-se um selo holográfico na cápsula que não permite que a cápsula seja violada, ou se alguém violar imediatamente o selo, parte e a pessoa identifica que algo de estranho se passa com aquela garrafa», esclareceu João Teixeira.
Outra medida envolve o site da adega, onde, num dos separadores, se pode introduzir o código da garrafa. «Depois recebe de volta uma mensagem que lhe diz se é ou não autêntica», adicionou.
Questões que podem colocar me causa a faturação e a disponibilidade do tinto no mercado, sabendo que «é muito importante».
«Eu diria que muita da qualidade inerente ao Pêra-Manca é que depende se ele estará disponível ou não no mercado, nunca será por questões comerciais, nunca será por pressão financeira, nunca será por uma estratégia de marketing ou de comunicação», afirmou ainda.
Faturação
No tópico da faturação, a Adega da Cartuxa prevê que seja de 29 milhões de euros, em 2024, onde o Pêra-Manca, «apesar de muito relevante, já não tem essa preponderância toda».
Isto porque, segundo o diretor, em 2022 houve «recorde de faturação» e em 2023 «superámos esse valor», em anos «sem Pêra-Manca»: «Grande parte das vendas do de 2015 tinham sido em 2021».
Ainda assim, é natural que «as 21 mil garrafas ao preço que o mercado as procura, não deixa de ser muito relevante para a faturação».
Como mercados principais, a Adega da Cartuxa tem Portugal como «principal», já que «60% das vendas são feitas dentro das nossas fronteiras».
Logo a seguir vem o Brasil, «que representa 30% da faturação total». Depois «por ordem decrescente, os Estados Unidos, o mercado comunitário, Angola e Macau, como principais destinos».















