O Cineteatro Florbela Espanca, em Vila Viçosa, recebeu esta quinta-feira uma sessão dedicada ao autismo, que reuniu mais de 170 participantes, entre profissionais, familiares e comunidade em geral.
A iniciativa, promovida pelo projeto + Educação – Rumo ao Sucesso Escolar, teve como objetivo sensibilizar e esclarecer sobre o tema.
Em declarações aos jornalistas, a vereadora da Câmara Municipal de Vila Viçosa, Mónica Lobo, destacou a adesão registada.
“Temos 170 inscritos e neste momento já estamos a receber pessoas que não estavam inscritas”, referiu, sublinhando que “é cada vez mais importante sensibilizar as pessoas para este tema e não ter tabus em falar dele”.
Sessão aberta à comunidade e com participação regional
De acordo com a autarca, a iniciativa foi dirigida a toda a comunidade e contou com participantes de vários concelhos do Alentejo Central. “Temos pessoas inscritas de Borba, Alandroal, Estremoz, de vários locais do Alentejo Central, o que para nós é bastante positivo”, afirmou.
A sessão integrou profissionais de diferentes áreas e familiares de pessoas com autismo. “Estamos aqui presentes todo o tipo de profissionais e também familiares, mães, pais, tios, avós, educadores, professores, auxiliares, pessoas de toda a comunidade”, referiu Mónica Lobo, acrescentando que este tipo de iniciativas constitui “uma mais-valia para todos”.
A responsável destacou ainda a necessidade de promover a compreensão do tema. “Muitas das pessoas têm dificuldades não só em aceitar, mas também em compreender”, disse, defendendo que estas sessões permitem “passar estratégias, clarificar situações e sensibilizar a comunidade”.
Testemunhos reforçam necessidade de sensibilização
Entre os participantes esteve Ana Filipe, mãe de uma criança com autismo, que sublinhou a importância de esclarecer conceitos. “O autismo não é uma doença, mas sim uma característica da criança”, afirmou.
Sobre a experiência pessoal, referiu que “houve desafios, houve momentos extremamente desafiantes, mas também extremamente gratificantes”, destacando o papel das famílias no acompanhamento das crianças.
A participante apontou ainda a existência de falta de sensibilização na sociedade. “Infelizmente, no nosso percurso tivemos momentos de preconceito e até discriminação”, disse, defendendo que estas iniciativas são essenciais para “sensibilizar as pessoas para que estas crianças tenham as mesmas oportunidades”.
Escola e comunidade com papel central
Ana Filipe destacou o papel da escola no acompanhamento do filho, de nove anos, diagnosticado com autismo aos dois anos. “Tenho sentido sempre muito apoio da escola, dos profissionais, sempre atentos às dificuldades”, referiu.
Atualmente, acrescentou, a criança encontra-se integrada. “Hoje é uma criança perfeitamente adaptada na escola e na vida social, está completamente integrada na sociedade”, afirmou.
Sobre a sessão, manifestou expectativa de que contribua para alterar perceções. “Espero que seja esclarecedor, que se desconstruam mitos e que as pessoas saiam daqui com uma mente mais aberta e mais consciente”, concluiu.
Iniciativa promove compreensão e inclusão
A sessão foi dinamizada por especialistas do CADIn e incluiu momentos de partilha, reflexão e transmissão de estratégias práticas para lidar com o autismo.
Para a organização, iniciativas deste tipo assumem um papel relevante na promoção da compreensão e da inclusão, reunindo diferentes perspetivas e experiências numa abordagem dirigida a toda a comunidade.




















































































