Em fevereiro assinala-se o Dia da Internet Segura, uma iniciativa que visa promover a utilização responsável e segura da web. Num mundo cada vez mais digital, a segurança online nunca foi tão crucial, especialmente quando falamos de transações bancárias. A comodidade e as vantagens da utilização do homebanking (acesso online à conta bancária) e dos pagamentos digitais veio revolucionar o setor financeiro, mas também abriu portas a novas ameaças que exigem precaução e uma maior aposta na literacia financeira e digital dos consumidores.
As transações online e os riscos associados
Nos últimos anos, o número de transações bancárias online disparou, sobretudo no período de confinamento aquando da pandemia, que acelerou muito esta tendência a maioria dos consumidores a recorrerem ao homebanking e às aplicações financeiras para gerir as suas contas bancárias. No entanto, este crescimento trouxe consigo um aumento de ciberataques, como é o caso do phishing – tentativa de roubo de dados pessoais e bancários, através da internet.
Os cibercriminosos recorrem a estratégias cada vez mais sofisticadas, como e-mails fraudulentos, chamadas falsas em nome de bancos e links maliciosos, aumentando a vulnerabilidade dos consumidores, sobretudo, dos que têm menores competências de literacia digital, tornando-os ainda mais suscetíveis a burlas e fraudes, como o roubo de dados bancários, a clonagem de cartões e o acesso não autorizado às suas contas.
No Mês da Internet Segura, a DECO informa-o sobre as boas práticas que deve adotar para garantir a segurança das suas operações bancárias online:
1. Utilizar autenticação forte
Sempre que possível, ative a autenticação por dois fatores para garantir uma proteção adicional dos seus dados.
2. Evitar redes WiFi públicas
Nunca aceda à conta bancária online através de redes Wi-Fi públicas. Estas redes são vulneráveis a ataques e podem ser monitorizadas por hackers à procura de dados confidenciais.
3. Verificar sempre o destinatário das transferências
Antes de confirmar uma transferência, verifique todos os detalhes. Muitos ataques envolvem a alteração dos dados do destinatário, levando o dinheiro a ser enviado para contas fraudulentas.
4. Não aceder a links suspeitos
Muita atenção aos e-mails e mensagens de texto que pedem para “atualizar dados bancários” ou “confirmar transações” pois estes são, muitas vezes, tentativas de phishing. Os bancos nunca solicitam este tipo de informações por e-mail ou SMS. Se receber uma mensagem suspeita, entre em contacto diretamente com o seu banco.
5. Utilizar cartões virtuais para compras online
Para evitar que os seus dados bancários sejam manipulados indevidamente em compras na internet, opte por cartões virtuais, que são gerados para uma única utilização ou para valores específicos.
O Papel das instituições na segurança digital
A cibersegurança é uma preocupação crescente numa sociedade cada vez mais digital. O aumento de ataques informáticos, fraudes online e violações de dados exige uma resposta coordenada por parte de diversas entidades – desde governos e empresas até organizações da sociedade civil. Mas será que estas entidades estão a cumprir devidamente o seu papel na promoção de um ambiente digital seguro?
Para além da nossa responsabilidade individual, os bancos, as entidades reguladoras e as associações de defesa dos consumidores desempenham um papel crucial na proteção dos clientes. A adoção de tecnologias com recurso à inteligência artificial para deteção de fraudes, a encriptação avançada de dados e as campanhas de sensibilização são prioridades para muitas instituições financeiras.
As autoridades governamentais desempenham um papel essencial na criação de legislação eficaz para proteger cidadãos e empresas contra ameaças digitais. A União Europeia, por exemplo, tem implementado normas como o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD) que reforçam a segurança dos sistemas informáticos. No entanto, a legislação por si só não é suficiente. É fundamental que os governos invistam em infraestruturas que garantam a cibersegurança, promovam campanhas de sensibilização e criem incentivos para que as empresas adotem práticas seguras.
Também a DECO tem trabalhado na proteção dos cidadãos, promovendo iniciativas de literacia digital, alertando para práticas fraudulentas e defendendo os direitos dos utilizadores perante situações de abuso ou falhas de segurança.
Por outro lado, as empresas têm a responsabilidade de proteger os dados dos seus clientes e garantir que os seus sistemas não sejam vulneráveis a ataques, como os que têm afetado instituições públicas e privadas em Portugal.
Apesar dos esforços existentes, ainda há um longo caminho a percorrer. A cibersegurança tem de ser uma prioridade transversal, envolvendo não apenas especialistas, mas também os cidadãos, que muitas vezes são o elo mais fraco na cadeia de segurança digital. Sem uma abordagem coletiva e coordenada, continuaremos vulneráveis a estas ameaças.
A segurança no mundo digital deve ser encarada como um compromisso de todos e uma prioridade. Afinal, num mundo onde a tecnologia evolui a um ritmo acelerado, não podemos ficar para trás na defesa dos nossos dados e da nossa privacidade.















